A Comissão Europeia alertou, nesta quinta-feira, os governos da União Europeia a iniciarem o reabastecimento de seus reservatórios de gás com mais urgência, devido aos impactos econômicos da guerra em andamento entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Diplomatas europeus revelaram que, embora não haja uma ameaça imediata ao fornecimento de gás da UE, a guerra tem causado uma alta significativa nos preços globais de energia, o que poderá complicar a preparação da região para o próximo inverno.
A Comissão Europeia destacou que, em vez de esperar até os meses finais do ano, os países da UE devem começar a encher seus reservatórios já em abril. Isso permitiria uma preparação mais robusta para o inverno e evitaria uma corrida para o abastecimento de gás durante os meses críticos, o que poderia resultar em aumentos adicionais de preços.
Os preços do gás na Europa subiram mais de 70% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando as hostilidades entre as potências ocidentais e o Irã começaram a intensificar-se. O fechamento do Estreito de Ormuz, que representa 20% do fluxo global de GNL, e os ataques iranianos às infraestruturas de exportação do Catar, responsáveis por 17% da oferta mundial de GNL, exacerbam ainda mais a crise energética.


Neste contexto, a Comissão Europeia também discutiu a flexibilidade nas metas de armazenamento de gás, permitindo que os países da UE atinjam um nível de 80% de capacidade antes do inverno, em vez da meta padrão de 90%. Essa alteração visa dar aos governos um alívio diante da escassez de gás disponível no mercado, enquanto tentam equilibrar os custos de abastecimento com as necessidades econômicas de seus países. No entanto, a situação atual é preocupante, com os estoques de gás na UE marcando níveis historicamente baixos para essa época do ano, com apenas 28% da capacidade total preenchida.
O desafio se agrava pela dificuldade das empresas em adquirir gás para o armazenamento antecipado devido aos preços elevados. Em países como a Holanda, por exemplo, os estoques de gás estão praticamente vazios, com apenas 6% de sua capacidade restante, o que coloca ainda mais pressão sobre as estratégias de reabastecimento. Em resposta, a Comissão enfatizou a importância de uma abordagem coordenada e estratégica entre os países membros para garantir que não haja uma crise no fornecimento de energia, especialmente à medida que os mercados internacionais de combustíveis continuam a se desestabilizar.

