O volume de crédito malparado em Angola permanece elevado, com um total estimado em 422,2 mil milhões de kwanzas ainda por recuperar, segundo dados recentes da Recredit.
De acordo com a presidente do Conselho de Administração da instituição, Miriam Ferreira, encontram-se actualmente em tribunal 58 processos relacionados com a recuperação desses activos financeiros.
A responsável explicou que a taxa global de recuperação da Recredit, em relação aos valores investidos nas carteiras adquiridas ao Banco de Poupança e Crédito, situa-se em cerca de 48%.
Miriam Ferreira destacou ainda que o alinhamento com o sistema judicial tem permitido acelerar os processos, contribuindo para aumentar significativamente a taxa de recuperação, que em alguns casos pode ultrapassar os 150%.

Por sua vez, o director do Gabinete Jurídico da instituição, José Tavares, afirmou que a estratégia da empresa passa por privilegiar soluções que não comprometam a continuidade das actividades produtivas dos devedores.
Segundo o responsável, a recuperação dos valores é, sempre que possível, feita através de acordos de pagamento negociados entre as partes, evitando recorrer de imediato a medidas judiciais mais severas.


No entanto, José Tavares reconheceu que nem sempre é possível chegar a consensos com os devedores, sendo necessário avançar para os tribunais quando se esgotam todas as alternativas de negociação.
Nestes casos, a Recredit recorre a acções executivas de insolvência, especialmente quando os devedores demonstram incapacidade de cumprir as suas obrigações financeiras, reforçando o papel da justiça no processo de recuperação de crédito em Angola.

