Um grupo de manifestantes invadiu, na madrugada de sábado (14), a sede municipal do Partido Comunista de Cuba na cidade de Morón, província de Ciego de Ávila, a cerca de 460 quilómetros de Havana. Durante o protesto, os manifestantes retiraram documentos, computadores e mobiliário do edifício e queimaram parte do material na rua, de acordo com relatos e vídeos divulgados nas redes sociais.
A manifestação ocorreu num contexto de crescente descontentamento popular provocado por apagões frequentes, escassez de alimentos e deterioração das condições de vida na ilha. Inicialmente pacífico, o protesto acabou por escalar para atos de vandalismo, levando as autoridades a realizar detenções após os incidentes.
A crise energética tem sido um dos principais factores de tensão social no país. Em várias regiões, os cortes de eletricidade podem durar muitas horas por dia, situação agravada pela escassez de combustível e pela fragilidade da infraestrutura elétrica nacional. A falta de petróleo para alimentar as centrais termoelétricas tem reduzido significativamente a capacidade de geração de energia.


Com cerca de 9,6 milhões de habitantes, Cuba enfrenta uma das fases económicas mais difíceis das últimas décadas. A crise tem sido intensificada por restrições no abastecimento de petróleo e pelo embargo económico que afeta a economia da ilha, dificultando a importação de combustíveis, alimentos e outros bens essenciais.
Os incidentes em Morón refletem um ambiente de crescente pressão social e política no país. Nos últimos meses, protestos semelhantes, incluindo manifestações noturnas e “cacerolazos” protestos em que moradores batem panelas para demonstrar insatisfação têm sido registados em várias cidades cubanas, evidenciando o aumento do descontentamento popular diante da crise económica e energética.

