Angola tem vindo a reforçar a sua posição diplomática ao defender uma participação mais ativa de África nos principais centros de decisão internacional, alertando para os riscos económicos associados à exclusão do continente. A posição foi destacada no âmbito do Parlamento Angolano, que tem assumido um papel crescente na diplomacia parlamentar como instrumento de influência global.
Segundo Adão de Almeida, os conflitos em várias regiões do mundo estão a comprometer a estabilidade internacional, com impactos diretos na segurança energética e alimentar, afetando de forma mais acentuada economias como a de Angola. O governante sublinhou que a ausência de África nas decisões estratégicas globais limita a capacidade do continente de proteger os seus interesses económicos e responder a choques externos.


Do ponto de vista económico, Angola reconhece que a volatilidade dos mercados internacionais, agravada por tensões geopolíticas, tem efeitos diretos no custo de importações, na inflação alimentar e na estabilidade do ambiente de negócios. Esta realidade reforça a necessidade de uma presença mais forte do continente africano nos fóruns onde são definidas políticas comerciais, energéticas e financeiras.
A aposta na diplomacia parlamentar surge como uma das principais ferramentas para atingir esse objetivo. Angola tem defendido uma maior articulação entre parlamentos africanos, promovendo uma voz coletiva capaz de influenciar negociações internacionais e defender soluções baseadas no diálogo e na cooperação multilateral, especialmente na resolução pacífica de conflitos.


A médio prazo, a estratégia de Angola aponta para um reposicionamento mais assertivo no cenário global, onde a participação africana nas decisões internacionais seja proporcional ao seu peso económico e geopolítico. Esta abordagem visa não apenas mitigar riscos externos, mas também criar condições para maior estabilidade, crescimento sustentável e atração de investimento no continente.

