Os preços do ouro registaram ligeira subida nas negociações asiáticas desta sexta-feira, mas o metal precioso continua encaminhado para a segunda semana consecutiva de perdas, pressionado pelas crescentes preocupações com a inflação global associada ao aumento dos custos da energia em meio às tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.
O ouro encontrou algum suporte com a desaceleração da valorização do dólar e dos preços do petróleo, especialmente após os EUA anunciarem novas isenções para o petróleo bruto da Rússia, numa tentativa de compensar os choques de oferta relacionados com o conflito envolvendo o Irã. Ainda assim, a volatilidade no mercado energético continua a influenciar o comportamento dos investidores.
No mercado à vista, o ouro subiu cerca de 0,6%, negociado a 5.109,46 dólares por onça, enquanto os contratos futuros registaram uma ligeira queda de 0,3%, para 5.111,84 dólares por onça. Apesar da recuperação pontual, o metal precioso deverá fechar a semana com uma perda aproximada de 1,2%, refletindo um período de consolidação após a forte valorização registada no início do ano.
Desde o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, o ouro tem sido negociado dentro de um intervalo relativamente estável entre 5.000 e 5.200 dólares por onça. O metal, tradicionalmente considerado um ativo de refúgio, ainda mantém ganhos no acumulado do ano, mas enfrenta dificuldades para recuperar após ter atingido um recorde próximo de 5.600 dólares por onça no final de janeiro.


Analistas do ANZ Bank destacam que, apesar dos desafios de curto prazo, o ouro continua a desempenhar um papel importante como instrumento de diversificação de portfólio e proteção contra riscos macroeconómicos e geopolíticos. O mercado acompanha também o impacto da guerra sobre os preços da energia, que pode prolongar pressões inflacionárias em várias economias.
A atenção dos investidores volta-se agora para a divulgação do índice de preços PCE dos Estados Unidos, indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Os dados poderão influenciar as expectativas sobre a política monetária, embora o consenso do mercado indique que o banco central deverá manter as taxas de juros inalteradas na próxima reunião.

Outros metais preciosos registaram ganhos moderados, com a prata a subir cerca de 0,7% e a platina 0,5%, acompanhando a recuperação parcial do mercado de commodities em meio ao cenário de incerteza global.

