O sector diamantífero angolano voltou a demonstrar força nas exportações em 2025, mas os números revelam um desequilíbrio estrutural, dos 1,6 mil milhões de dólares gerados com a venda de diamantes, apenas 119 milhões chegaram efetivamente aos cofres do Estado, evidenciando uma baixa captura de valor num dos principais recursos minerais do país.
Com cerca de 17 milhões de quilates exportados, Angola reforçou a sua posição no mercado global, registando um crescimento de 7% nas receitas externas. Ainda assim, o retorno fiscal ficou limitado a 7,4% das vendas totais, um nível significativamente inferior ao observado no sector petrolífero, onde a arrecadação ronda um terço das receitas.
Este desfasamento reflete um modelo assente no volume e não no valor, num contexto em que a pressão dos diamantes sintéticos continua a afetar os preços internacionais. A concorrência crescente tem forçado os produtores a aumentarem a produção para compensar a queda de preços, uma estratégia que garante liquidez no curto prazo, mas reduz margens e limita o potencial fiscal.

Apesar de uma ligeira recuperação no preço médio que subiu para 117,8 dólares por quilate, o ganho foi insuficiente para alterar o quadro estrutural. A dinâmica global de procura mais fraca e a crescente substituição por alternativas sintéticas continuam a pressionar o mercado.
A produção nacional atingiu 15,19 milhões de quilates, superando as metas estabelecidas no Plano de Desenvolvimento Nacional, mas o desempenho fiscal ficou aquém do esperado. As receitas previstas no Orçamento Geral do Estado não foram cumpridas, registando um desvio negativo de cerca de 23%, o que reforça a fragilidade na conversão de produção em receita pública.
No centro da produção estão as minas de Catoca e Luele, responsáveis por mais de 90% do total nacional. Estes activos consolidam Angola como um dos maiores produtores mundiais, com destaque para Luele, considerada uma das maiores reservas globais de diamantes.


O sector também atravessa uma fase de reconfiguração estratégica, com mudanças relevantes na estrutura accionista da Sociedade Mineira de Catoca. A saída da Alrosa e a entrada da Taadeen Investment sinalizam uma nova fase de diversificação de parcerias e reposicionamento geopolítico dos activos mineiros.
Para analistas, o principal desafio passa por aumentar a captura de valor local, seja através da revisão do regime fiscal, do reforço da cadeia de valor incluindo lapidação e comercialização ou da melhoria da eficiência operacional.
Num cenário global em transformação, o sector diamantífero angolano mantém relevância em termos de produção e exportação, mas enfrenta o teste crítico de se tornar mais rentável para o Estado, num momento em que a diversificação económica exige maior eficiência na gestão dos recursos naturais.

