O Zimbábue, maior produtor de lítio em África, começou a flexibilizar as restrições à exportação do mineral, ao introduzir um sistema de cotas que permite a retoma parcial dos embarques.
A medida surge poucos meses após a suspensão das exportações de lítio bruto e concentrado, adoptada para travar perdas de receitas, combater preços abaixo do mercado e incentivar a industrialização local.
Apesar das restrições, empresas chinesas destacam-se como principais beneficiárias. O grupo Sichuan Yahua garantiu uma cota de exportação válida por seis meses, assegurando a continuidade das operações na mina de Kamativi.


Outras empresas, como Chengxin Lithium e Sinomine Resources, também obtiveram autorizações, reforçando a presença da China no sector mineiro zimbabueano.
O domínio chinês resulta de investimentos contínuos em infra-estruturas, financiamento e cadeias de valor integradas, ligando a produção africana aos centros industriais asiáticos.
Em 2025, o Zimbábue exportou mais de 1,1 milhão de toneladas de concentrado de lítio para a China, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais deste recurso estratégico.
Entretanto, potências como os Estados Unidos enfrentam dificuldades em competir com a escala e velocidade dos investimentos chineses em África, enquanto a Rússia mantém uma presença mais discreta.

A estratégia adoptada por Harare reflecte um equilíbrio delicado entre reforçar o controlo sobre os recursos naturais e garantir a continuidade do investimento estrangeiro necessário ao crescimento do sector.

