A fabricante chinesa Xiaomi anunciou que entregou mais de 20 mil veículos eléctricos em Fevereiro, registando uma queda significativa em relação às mais de 39 mil unidades entregues em Janeiro. A informação foi divulgada pela própria empresa através da sua conta oficial na rede social Weibo.
Apesar da desaceleração mensal, o número mantém a marca chinesa acima de um patamar relevante no competitivo mercado de veículos eléctricos, onde a consistência nas entregas é vista como indicador-chave de consolidação industrial. A empresa, tradicionalmente associada à produção de smartphones e dispositivos electrónicos de consumo, entrou oficialmente no sector automóvel em 2024 com o lançamento do sedã eléctrico Xiaomi SU7, marcando uma das transições mais ambiciosas de uma tecnológica para a indústria automóvel.

A redução nas entregas ocorre num contexto que já vinha sendo antecipado por analistas do mercado chinês. Fevereiro é tradicionalmente afectado pelo abrandamento sazonal associado ao Ano Novo Lunar, período em que fábricas reduzem produção e a logística sofre interrupções temporárias. Em Janeiro, a Xiaomi havia beneficiado de um forte impulso de encomendas acumuladas no final de 2024, quando o SU7 ganhou tracção comercial e consolidou a sua posição entre os novos modelos eléctricos mais procurados no segmento premium acessível.
Outro facto relevante é que a empresa já havia comunicado, no início do ano, que estava a ajustar o ritmo produtivo para preparar a transição para a próxima geração do SU7. A Xiaomi confirmou agora que está a organizar a produção em massa da nova versão do modelo, o que pode explicar parte da desaceleração temporária nas entregas, à medida que linhas de montagem são adaptadas e inventários ajustados.

A entrada da Xiaomi no sector automóvel foi inicialmente recebida com cepticismo, mas os números de Janeiro mostraram que a marca conseguiu transformar o seu capital tecnológico e a base de consumidores fiéis numa vantagem competitiva real. A questão agora é saber se conseguirá manter a consistência num mercado onde concorrentes como a BYD e a Tesla disputam cada quota com agressividade.
A descida de Fevereiro não apaga o arranque forte da empresa no sector automóvel, mas serve como teste à capacidade da Xiaomi de sustentar crescimento num ambiente de elevada concorrência, pressão de preços e rápidas mudanças tecnológicas. O verdadeiro indicador estará nos próximos meses, quando a nova geração do SU7 entrar plenamente em produção e o mercado avaliar se a marca veio para ficar ou se ainda está em fase de ajustamento estratégico.

