Uganda deu um passo estratégico para reforçar a sua soberania económica ao assinar contratos no valor de 160 milhões de dólares para a compra de ouro refinado internamente, numa iniciativa liderada pelo Banco de Uganda que visa manter mais receitas no país e reduzir a exportação de matéria-prima.
O acordo firmado com a EuroGold Refinery Ltd e a Feldstein Trading Limited prevê a aquisição inicial de 100 quilos de ouro refinado, criando uma nova dinâmica financeira no setor aurífero e impulsionando a retenção de valor dentro da economia nacional, num contexto em que países africanos buscam maior controlo sobre os seus recursos naturais.
A decisão do banco central representa uma mudança relevante no modelo de negócios do setor mineiro ugandense, ao incentivar a agregação de valor local e fortalecer a cadeia de suprimentos interna, reduzindo a dependência de intermediários e mercados externos.
Com a compra direta de ouro refinado, Uganda pretende aumentar a transparência nas transações, apoiar refinarias nacionais e estimular investimentos no processamento interno, criando um ambiente mais favorável para investidores e operadores do setor mineral.


A estratégia também melhora a estabilidade cambial e contribui para o fortalecimento das reservas internacionais, transformando o ouro em um instrumento financeiro e monetário mais eficiente para a economia do país.
Do ponto de vista empresarial e económico, o acordo abre novas oportunidades para empresas locais e pequenos mineradores, que passam a ter acesso a um comprador institucional sólido e previsível, reduzindo riscos comerciais e aumentando a rentabilidade da atividade.

A EuroGold, considerada a primeira refinaria de ouro totalmente de propriedade ugandense, tem desempenhado um papel central na formalização do setor, trabalhando com mineradores artesanais para garantir padrões internacionais de pureza e qualidade, o que aumenta a credibilidade do ouro ugandense no mercado global e cria condições para futuras parcerias internacionais e expansão da indústria.
A iniciativa insere-se numa tendência crescente em África de reforço da industrialização baseada em recursos naturais, com governos a apostarem em políticas de retenção de valor, diversificação económica e fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Ao transformar o ouro refinado em um ativo estratégico para o sistema financeiro, Uganda posiciona-se para aumentar receitas fiscais, atrair investimento estrangeiro e consolidar o setor mineiro como motor de crescimento sustentável, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos e fortalecendo a sua competitividade no mercado internacional de metais preciosos.

