A Comissão Europeia voltou a rejeitar o pedido da França e de outros países para suspender o imposto de carbono aplicado aos fertilizantes importados, numa decisão que mantém a pressão sobre os custos agrícolas, mas reforça a estratégia do bloco de reduzir a dependência externa e proteger a indústria europeia.
O tema foi discutido numa reunião de ministros da Agricultura em Bruxelas, onde o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, reconheceu o impacto dos preços elevados dos fertilizantes, mas alertou que a suspensão da taxa poderia agravar a dependência das importações. “Corre-se o risco de aumentar a dependência externa, por isso devemos ter cautela”, afirmou.


A medida faz parte do mecanismo europeu de ajustamento carbónico nas fronteiras, em vigor desde 1 de janeiro, que impõe custos adicionais sobre produtos importados com elevada pegada de carbono, como fertilizantes, aço e cimento. O objectivo é proteger as empresas europeias de concorrência considerada desleal e incentivar práticas mais sustentáveis a nível global.
Apesar da pressão de países como França, Itália e Croácia, que defendem um alívio temporário devido à escalada dos preços, Bruxelas mantém a sua posição, propondo como alternativa o uso das receitas arrecadadas com o imposto para apoiar os agricultores e estabilizar o mercado.
A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, argumentou que a guerra envolvendo o Irão tem agravado a crise no abastecimento, elevando significativamente o custo da ureia, componente essencial dos fertilizantes.


Os custos de produção aumentaram, criando um impasse económico para os produtores”, afirmou, defendendo uma suspensão temporária da taxa.
Do lado da indústria europeia de fertilizantes, a posição é contrária à suspensão, temendo maior concorrência de produtos mais baratos provenientes de mercados com regulamentações ambientais menos rigorosas.

