A Tunísia está avançando com um projeto ambicioso de um corredor comercial terrestre que ligará o Norte da África ao Sahel, com o objetivo de reposicionar o país como uma porta de entrada entre o Mediterrâneo e a África subsaariana.
O corredor, que conectará a passagem fronteiriça de Ras Jedir, na Tunísia, com rotas terrestres em direção a países como Níger, Mali, Burkina Faso, Chade e República Centro-Africana, visa facilitar o comércio na região e melhorar as conexões logísticas, especialmente para os países do Sahel, que não têm acesso ao mar.
O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Líbia e busca reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade e fortalecer a integração econômica da África.
O desenvolvimento desse corredor comercial surge num momento estratégico, com a Tunísia buscando expandir seu envolvimento com a África Subsaariana, principalmente dentro do contexto da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).
De acordo com o Ministro do Comércio da Tunísia, Samir Abid, o corredor não só reduzirá custos e tempo de operação, mas também facilitará a integração regional, possibilitando a entrada de novos mercados e ampliar a presença da Tunísia no comércio intercontinental.


Apesar dos progressos iniciais, o comércio bilateral com o Níger ainda é limitado, o que representa uma grande oportunidade para diversificar e estruturar os fluxos comerciais.
O corredor também poderia servir como um impulso econômico para os países do Sahel, região com mais de 150 milhões de habitantes, que tem procurado alternativas para suas rotas comerciais, dadas as transformações nas alianças regionais.
Contudo, o projeto enfrenta desafios significativos, como questões de segurança no sul da Líbia e em várias partes do Sahel, além de deficiências nas infraestruturas de transporte e fronteira.
A implementação bem-sucedida exigirá investimentos pesados, possivelmente na ordem de bilhões de dólares, para modernizar estradas, sistemas logísticos e instalações de controle fronteiriço.
Se concretizado, o corredor poderá impulsionar o comércio intra-africano, que atualmente representa apenas cerca de 15% do comércio total da África, e posicionar a Tunísia como um hub crucial para a dinâmica comercial do continente.
Este projeto não só tem o potencial de reduzir custos e melhorar as relações comerciais, mas também pode transformar a Tunísia em um elo vital no comércio entre o Mediterrâneo e o Sahel, beneficiando toda a região.

