O Moçambique enfrenta uma nova pressão inflacionária no setor da aviação, à medida que o aumento dos preços internacionais do combustível ameaça encarecer significativamente as passagens aéreas. A escalada dos custos energéticos, impulsionada por tensões geopolíticas no Médio Oriente, expõe a vulnerabilidade estrutural do país à volatilidade externa e coloca desafios adicionais ao transporte aéreo e ao turismo.
Segundo a diretora nacional de hidrocarbonetos e combustíveis, Felisbela Nhate, o preço do combustível de aviação praticamente duplicou, passando de cerca de 769 dólares por tonelada para mais de 1.595 dólares. Este aumento abrupto está diretamente ligado às perturbações na cadeia global de abastecimento, agravadas pelo encerramento do estratégico Estreito de Ormuz, por onde circula uma parte significativa do petróleo mundial.


Do ponto de vista empresarial, o impacto é imediato: as companhias aéreas enfrentam um aumento expressivo nos custos operacionais, reduzindo margens e forçando ajustes tarifários. Empresas como Kenya Airways, Air Mauritius, Ethiopian Airlines e RwandAir já começaram a rever em alta as suas sobretaxas de combustível, sinalizando uma tendência regional que deverá atingir Moçambique num curto espaço de tempo.
A nível macroeconómico, o aumento das tarifas aéreas poderá ter efeitos indiretos sobre o turismo, o comércio e a mobilidade empresarial, encarecendo deslocações e reduzindo a competitividade do país como destino de investimento. Num contexto de recuperação económica ainda frágil, o encarecimento dos transportes pode travar fluxos de negócios e pressionar ainda mais o custo de vida.


O alerta do Presidente Daniel Chapo reforça a dimensão do risco: caso o conflito persista, os aumentos poderão materializar-se já nas próximas semanas. Para o mercado, o cenário traduz um clássico choque de custos externos, onde a capacidade de resposta interna é limitada, obrigando empresas e consumidores a absorverem o impacto de uma crise energética global cada vez mais prolongada.

