A gigante automóvel Stellantis decidiu adiar a construção de uma fábrica avaliada em US$ 160 milhões na África do Sul, prevista para ser instalada na Zona Económica Especial de Coega, no Cabo Oriental, num contexto de forte pressão competitiva no sector automóvel.
O projecto estava inicialmente planeado para iniciar a produção do modelo Peugeot Landtrek no início de 2026, mas foi colocado em pausa enquanto a empresa reavalia o seu modelo de negócio. Segundo a direcção da Stellantis África do Sul, o adiamento não representa cancelamento, mas sim uma suspensão temporária.
O director-geral da empresa, Mike Whitfield, explicou que o mercado de pick-ups sofreu mudanças significativas nos últimos anos, o que obrigou a uma reavaliação do projecto. “O sector de pick-ups, no entanto, mudou drasticamente nos últimos anos, com a entrada de muitos novos concorrentes”, afirmou. “A fábrica não será sustentável apenas com a produção de pick-ups.”

Concorrência global pressiona decisão de investimento
A revisão ocorre num momento em que o mercado sul-africano de veículos regista forte concorrência de marcas estabelecidas como Toyota Hilux, Ford Ranger e Isuzu D-Max, além da crescente presença de fabricantes chineses, que têm ganho espaço com preços mais competitivos.
Dados do sector indicam que os veículos chineses já representam mais de 10% das vendas de automóveis novos na África do Sul, intensificando a pressão sobre fabricantes europeus e americanos.
A Stellantis está agora a avaliar a inclusão de novos modelos na linha de produção, incluindo veículos híbridos e eléctricos, para garantir viabilidade a longo prazo. A empresa reconhece que depender apenas de pick-ups não garante sustentabilidade num mercado cada vez mais diversificado.


Mike Whitfield reforçou que o futuro da fábrica dependerá dessa adaptação estratégica, com foco em estabilidade e competitividade.
Investimento permanece em análise e acompanha transição global
Anunciado em 2023 em parceria com a Corporação de Desenvolvimento Industrial (IDC), o projecto previa um investimento de US$ 160 milhões e produção voltada para o mercado africano e do Médio Oriente.
A Stellantis já opera em vários países africanos, incluindo Egipto, Marrocos e Nigéria, e avalia também a integração de veículos de novas energias (NEVs), alinhando-se à transição global para electrificação e às políticas energéticas em evolução na região.

