A entrada em funcionamento da nova Central de Recuperação e Processamento da Sociedade Mineira do Chitotolo marca um reposicionamento estratégico no sector diamantífero, ao transformar reservas anteriormente subaproveitadas em activos economicamente viáveis. O investimento de cerca de 9 milhões de dólares, realizado na Lunda-Norte, evidencia uma mudança de paradigma: sair da expansão puramente extractiva para uma lógica de eficiência e maximização de valor dos recursos já existentes.
Do ponto de vista operacional, a nova central permite processar até 120 toneladas por dia, representando um aumento de aproximadamente 140% face à capacidade anterior. Este ganho de escala traduz-se directamente em maior taxa de recuperação de diamantes, sobretudo em depósitos aluvionares residuais com teores de concentrado que podem atingir 20%, anteriormente limitados por constrangimentos técnicos. A introdução de tecnologia avançada, incluindo sistemas Flow-sort, separação granulométrica e monitorização com inteligência artificial, reforça o controlo e a precisão no processamento.


Em termos empresariais, o projecto posiciona a empresa para aumentar margens sem depender exclusivamente da descoberta de novas reservas, uma abordagem mais sustentável num sector com custos elevados de prospecção. A estratégia de valorização de “tailings” (resíduos minerais) e depósitos de menor teor permite reduzir desperdícios e melhorar o retorno sobre activos já existentes, um indicador-chave para investidores e para a competitividade da indústria mineira angolana.
A presença do ministro Diamantino Azevedo na inauguração reforça a importância política deste tipo de investimento, alinhado com a agenda nacional de aumento do valor acrescentado no sector extractivo. O foco deixa de ser apenas a exportação de matéria-prima e passa a incluir eficiência produtiva, incorporação tecnológica e prolongamento da vida útil das operações mineiras.
Numa análise crítica, embora o investimento represente um avanço significativo, o verdadeiro impacto económico dependerá da consistência operacional, da gestão de custos e da capacidade de integrar inovação de forma contínua. A modernização tecnológica exige também qualificação de mão-de-obra e manutenção especializada. Ainda assim, a iniciativa da Sociedade Mineira do Chitotolo reforça a sua liderança como maior produtora aluvionar de diamantes em Angola e aponta para um modelo mais eficiente, resiliente e orientado para maximização de valor no sector.

