O Senegal tem recorrido a instrumentos financeiros complexos para conseguir financiamento mais barato, numa altura em que enfrenta dificuldades de acesso aos mercados internacionais e crescentes preocupações sobre a sustentabilidade da sua dívida.
O governo senegalês defende o uso de swaps de retorno total (TRS) como alternativa aos mercados tradicionais de dívida, permitindo captar recursos a custos significativamente mais baixos.
Segundo o ministro das Finanças, Cheikh Diba, o país conseguiu empréstimos com taxas em torno de 7%, muito abaixo dos 11% a 12% exigidos nos eurobônus internacionais.

O governo afirma que estas operações já geraram economias significativas, estimadas em cerca de 36 mil milhões de francos CFA (aproximadamente 64 milhões de dólares).
As dificuldades financeiras do país intensificaram-se após o Fundo Monetário Internacional suspender um programa de apoio de 1,8 mil milhões de dólares em 2024, na sequência da descoberta de dívidas não declaradas anteriormente.
Essa decisão reduziu o acesso do Senegal aos mercados internacionais, obrigando o país a recorrer a financiamento regional e instrumentos alternativos, como os swaps.
Entre abril e novembro de 2025, foram realizadas pelo menos sete operações de swap, segundo o Ministério das Finanças.
Debate sobre transparência e riscos

Apesar da defesa do governo, o uso destes instrumentos tem levantado preocupações entre investidores e instituições internacionais.
O FMI alerta que os swaps podem ser classificados como dívida externa para efeitos de análise de sustentabilidade, o que pode complicar futuras reestruturações.
Além disso, investidores temem que estas estruturas possam criar vantagens para novos credores em detrimento dos atuais detentores de títulos em caso de incumprimento, algo que o governo nega.
Tendência em economias com pressão financeira
O caso do Senegal reflete uma tendência crescente em economias com dificuldades de financiamento, que recorrem a soluções alternativas devido às elevadas taxas de juro globais.
Países africanos como Angola também têm explorado mecanismos semelhantes para captar recursos fora dos mercados tradicionais.
Embora estas estratégias reduzam custos no curto prazo, analistas alertam que podem aumentar riscos financeiros futuros caso a situação da dívida se agrave.
Para o Senegal, o desafio agora é equilibrar inovação financeira com transparência, enquanto tenta restaurar a confiança dos investidores e regressar ao financiamento internacional sustentável com o apoio de um novo programa do FMI a ser considerado essencial para essa recuperação.

