O Senegal prevê uma desaceleração acentuada do crescimento económico em 2026, num contexto marcado por elevados riscos associados à dívida pública e incertezas no financiamento.
De acordo com o Ministério da Economia do Senegal, o crescimento deverá cair para 2,5% este ano, uma redução significativa face aos 6,7% registados em 2025, sobretudo devido à diminuição da produção de hidrocarbonetos.

O cenário económico tem sido agravado pela descoberta de uma dívida oculta estimada em 13 mil milhões de dólares, atribuída à administração anterior, o que fragilizou a confiança dos investidores e comprometeu o acesso a financiamento externo.
Sem um programa activo com o Fundo Monetário Internacional, o país tem recorrido de forma intensiva ao mercado regional de dívida, aumentando a dependência de financiamento interno para cobrir as necessidades orçamentais.
Apesar das dificuldades, o défice orçamental registou uma redução significativa, passando de 13,7% do Produto Interno Bruto em 2024 para 6,2% em 2025, resultado de cortes expressivos na despesa pública.

Prevê-se que o défice continue a diminuir, podendo atingir 5,4% do PIB em 2026 e regressar ao limite regional de 3% até 2027, apoiado por reformas fiscais e aumento das receitas provenientes do sector energético.
A redução do défice foi uma surpresa positiva, e as autoridades merecem crédito por isso, especialmente considerando a forte redução nos gastos de capital e o bom desempenho na arrecadação de receitas”, afirmou Fernando Gimenez, economista da Promeritum Investment Management.
Ainda assim, o risco de sobrecarga da dívida mantém-se elevado no médio prazo, com dúvidas sobre a capacidade do mercado regional em responder às necessidades de financiamento, numa altura em que os títulos senegaleses continuam sob pressão nos mercados internacionais.

