A produção diamantífera de Angola atingiu 15,19 milhões de quilates em 2025, registando um crescimento de 8% e superando tanto a meta inicial como a revista do Plano de Desenvolvimento Nacional. O desempenho, confirmado pelo secretário de Estado Jânio Corrêa Víctor, evidencia a resiliência operacional do setor num contexto global adverso, marcado pela crescente concorrência dos diamantes sintéticos.
Do ponto de vista económico, o aumento da produção reflete ganhos de eficiência e consolidação da capacidade mineira nacional, mas também revela uma estratégia deliberada de maximização de volumes para compensar a queda de preços no mercado internacional. Esta abordagem, embora eficaz no curto prazo, levanta questões sobre sustentabilidade de margens e dependência de ciclos externos.


Em termos de exportação, Angola comercializou mais de 17 milhões de quilates, gerando receitas de cerca de 1,6 mil milhões de dólares. Os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como principal destino, absorvendo mais de 78% das exportações, seguidos pela Bélgica. Esta concentração geográfica, embora eficiente, expõe o país a riscos de dependência de poucos mercados compradores.
O crescimento de cerca de 70% no volume comercializado, contrastando com um aumento mais modesto de 6,7% no valor bruto, evidencia a pressão descendente sobre os preços internacionais. A ascensão dos diamantes produzidos em laboratório continua a alterar a dinâmica de mercado, forçando produtores tradicionais a ajustarem estratégias comerciais e operacionais.


Num enquadramento mais amplo, o setor diamantífero angolano enfrenta o desafio de evoluir de um modelo baseado em volume para um modelo orientado ao valor acrescentado, incluindo lapidação local, branding e diversificação de mercados. O desempenho atual confirma robustez produtiva, mas o futuro dependerá da capacidade de adaptação a uma indústria global em rápida transformação.

