A SAS anunciou o cancelamento de cerca de 1.000 voos em abril, numa resposta directa à escalada dos preços do combustível de aviação, impulsionada pela guerra envolvendo o Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A decisão evidencia o impacto imediato das tensões geopolíticas sobre o sector aéreo global.
Segundo o CEO Anko van der Werff, o custo do combustível praticamente duplicou em apenas dez dias, criando um choque operacional que pressiona margens e obriga a companhia a rever a sua capacidade. Mesmo com esforços para absorver parte dos custos, a transportadora foi forçada a ajustar a oferta e optimizar rotas.

Do ponto de vista financeiro, a medida reflete uma estratégia de contenção de perdas num ambiente de elevada volatilidade. O combustível representa uma das maiores parcelas dos custos operacionais das companhias aéreas, e aumentos abruptos tendem a traduzir-se rapidamente em cortes de voos, subida de tarifas e revisão de planos de expansão.


A SAS já tinha iniciado o aumento dos preços das passagens, sinalizando a transferência parcial dos custos para os consumidores. No entanto, a elasticidade da procura pode limitar essa estratégia, especialmente num contexto de incerteza económica, o que coloca pressão adicional sobre a rentabilidade do sector.
O caso reforça uma tendência mais ampla: a vulnerabilidade da aviação comercial a choques energéticos. Enquanto o conflito persistir e o fornecimento global de petróleo permanecer condicionado, as companhias aéreas deverão continuar a ajustar operações, afectando conectividade, receitas e perspectivas de crescimento no curto prazo.

