A fintech britânica Revolut anunciou um lucro antes de impostos recorde de 1,7 mil milhões de libras (cerca de 2,3 mil milhões de dólares) em 2025, consolidando a sua posição como uma das empresas financeiras digitais mais valiosas da Europa.
De acordo com o relatório divulgado, a receita da empresa subiu para 4,5 mil milhões de libras, face aos 3,1 mil milhões registados em 2024, impulsionada sobretudo pelas taxas cobradas à sua base de 68,3 milhões de clientes. Apesar do crescimento expressivo, o aumento do lucro, de 57%, foi inferior ao salto de quase 150% verificado no ano anterior.
No plano estratégico, a empresa prepara-se para competir de forma mais direta com os bancos tradicionais no Reino Unido, após ter recebido autorização regulatória para operar como banco no país em março deste ano. A fintech já iniciou a migração dos seus clientes britânicos para a nova estrutura bancária e prevê lançar cartões de crédito, empréstimos pessoais sem garantia e linhas de crédito.

Nos últimos anos, o desempenho financeiro foi sustentado por receitas provenientes de juros e do segmento de criptomoedas. No entanto, a empresa pretende agora reforçar a sua presença no mercado de crédito, expandindo a carteira de empréstimos.
Fundada em 2015, a Revolut atingiu uma avaliação de cerca de 75 mil milhões de dólares após uma oferta privada de ações realizada em novembro do ano passado. Em 2025, a sua carteira de crédito cresceu 120%, alcançando 2,2 mil milhões de libras, composta maioritariamente por empréstimos ao consumo.
Apesar desse avanço, o segmento de hipotecas lançado inicialmente na Lituânia ainda é considerado embrionário. O diretor financeiro, Victor Stinga, indicou que a expansão deste produto para outros mercados deverá ocorrer apenas nos próximos anos.
Expansão global e foco em crescimento


A estratégia da empresa passa por transformar clientes ocasionais em utilizadores principais da sua plataforma financeira, oferecendo serviços adicionais como subscrições e benefícios exclusivos.
Segundo Victor Stinga, o número de clientes que utilizam a plataforma como conta principal registou um aumento de 45%, embora sem divulgação de números absolutos.
A empresa também está a avançar com pedidos de licenças bancárias em mercados estratégicos, incluindo França e Estados Unidos, enquanto continua a operar na União Europeia através da licença obtida na Lituânia.
A expansão geográfica para além da Europa será a próxima grande prioridade, assim que consolidarmos a operação bancária no Reino Unido”, afirmou o responsável.
Quanto a uma eventual entrada em bolsa (IPO), a empresa não apresentou qualquer calendário definido.

