O órgão regulador da concorrência do Reino Unido decidiu limitar os aumentos nas contas de água solicitados por várias empresas do sector, permitindo que a conta média dos consumidores suba apenas 2,2%, valor inferior ao pedido pelas companhias.
A decisão foi anunciada por um painel independente da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA), que rejeitou a maior parte das propostas apresentadas por cinco empresas de abastecimento de água.
Empresas pediam bilhões em receitas adicionais
De acordo com o regulador, as empresas solicitaram cerca de 2,7 bilhões de libras em receitas adicionais para financiar investimentos no sector. No entanto, o painel autorizou apenas 463 milhões de libras (aproximadamente 623 milhões de dólares), o que representa um corte de cerca de 83% do valor solicitado.

A decisão revisa uma avaliação anterior da CMA divulgada em outubro, que havia permitido às empresas obter 556 milhões de libras em receitas adicionais, o que implicaria um aumento médio de 3% nas contas dos consumidores.
Empresas recorreram da decisão do regulador do sector
As companhias Anglian Water, Northumbrian Water, South East Water, Southern Water e Wessex Water recorreram da decisão da Ofwat, entidade responsável pela regulação do sector de água no país.
A Ofwat havia determinado limites para os aumentos tarifários, restringindo as concessionárias a aumentos máximos de cerca de 36% ao longo de cinco anos, até 2030.
Equilíbrio entre investimento e proteção ao consumidor
Segundo Kirstin Baker, presidente do grupo independente responsável pela avaliação, a decisão procurou equilibrar a necessidade de financiamento do sector com a proteção dos consumidores.


Rejeitámos a maior parte dos aumentos solicitados pelas empresas de água, mas permitimos financiamento adicional limitado onde é realmente necessário, equilibrando a acessibilidade financeira com a necessidade de garantir o abastecimento de água e reduzir a poluição”, afirmou.
Especialistas indicam que a decisão pode aliviar a pressão financeira sobre as famílias britânicas num momento em que o custo de vida permanece elevado. Ao mesmo tempo, o regulador tenta garantir que as empresas mantenham capacidade de investimento em infraestruturas, modernização das redes de abastecimento e medidas de combate à poluição.
A decisão também poderá influenciar futuras políticas regulatórias no sector da água no Reino Unido, estabelecendo parâmetros mais rígidos para reajustes tarifários e reforçando o controlo sobre empresas responsáveis por serviços essenciais.

