A Sonangol rejeitou alegações de uma possível participação de 30% do Botswana na refinaria do Lobito, projeto avaliado em 6,6 mil milhões de dólares, lançando novas dúvidas sobre a estrutura de financiamento e o alinhamento entre potenciais investidores. A posição oficial surge num momento em que o ativo é considerado estratégico para a transformação do setor energético angolano e para a redução da dependência de combustíveis refinados importados.
A negativa evidencia um cenário de incerteza nas negociações internacionais, com Angola a manter abertura a novos parceiros, mas insistindo numa participação maioritária de 51% para preservar o controlo sobre infraestruturas críticas. Este posicionamento reforça uma estratégia de soberania energética, ao mesmo tempo que limita a flexibilidade na captação de capital externo num projeto de elevada intensidade financeira.

Com um défice estimado em cerca de 4,8 mil milhões de dólares, o financiamento continua a ser o principal entrave à execução do projeto, levando o Executivo a intensificar contactos com investidores, sobretudo na China. A lentidão nas negociações e a ausência de compromissos firmes aumentam o risco de atrasos, colocando pressão adicional sobre um dos principais pilares da política industrial e energética do país.
A refinaria, com capacidade prevista de processamento de cerca de 200 mil barris por dia, é central para a estratégia de Angola de capturar maior valor na cadeia petrolífera. Atualmente, o país continua a exportar crude e a importar derivados a custos superiores, um modelo que compromete a balança comercial e expõe a economia a choques externos nos preços da energia.

Num contexto mais amplo, o caso do Lobito reflete desafios estruturais do setor de refinação em África, onde projetos de grande escala enfrentam constrangimentos financeiros, desalinhamento entre investidores e riscos geopolíticos. Para Angola, o equilíbrio entre atração de capital, controlo estratégico e execução eficiente será determinante para viabilizar o projeto e consolidar a sua ambição de se afirmar como hub energético regional.

