O rand sul-africano deverá encerrar o mês com uma desvalorização superior a 6% frente ao dólar, reflectindo o impacto das tensões geopolíticas e a crescente aversão ao risco nos mercados internacionais.
Apesar de ter registado uma recuperação pontual na última sessão, com valorização de cerca de 1,2%, a moeda continua pressionada por uma onda de vendas desencadeada pelo conflito no Médio Oriente, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão.
O África do Sul, cuja moeda é considerada sensível ao risco global, tem visto o rand reagir fortemente às mudanças no sentimento dos investidores. A recente decisão do governo de reduzir temporariamente o imposto sobre combustíveis ajudou a limitar perdas, ao tentar conter a subida dos preços internos.


O rand vinha de um desempenho positivo ao longo de 2025 e início de 2026, o que o torna mais vulnerável a correcções num contexto de instabilidade internacional. Analistas indicam que a trajectória da moeda continuará dependente dos desenvolvimentos no Médio Oriente, embora factores internos também desempenhem um papel relevante.
Entre os indicadores positivos, destaca-se o superávit comercial de 36,92 mil milhões de rands registado em fevereiro, bem como a recuperação do investimento estrangeiro directo, que atingiu 41,3 mil milhões de rands no quarto trimestre de 2025, revertendo saídas observadas no trimestre anterior.
Apesar da pressão cambial, alguns indicadores financeiros demonstram resiliência. O principal índice da Bolsa de Joanesburgo registou uma subida de 1,9%, enquanto os títulos do governo com maturidade em 2035 valorizaram, com o rendimento a recuar para 9,18%.
Este comportamento sugere que, embora a moeda esteja sob pressão, os investidores continuam a ver fundamentos económicos relativamente estáveis no país, sobretudo ao nível do comércio externo e fluxos de capital.

