A Cuanza-Sul lidera actualmente a produção controlada de aquicultura em Angola, com um volume superior a 3,2 mil toneladas por mês, consolidando-se como principal polo produtivo do sector no país. O desempenho coloca a província à frente do Uíge, que regista cerca de 2,1 mil toneladas mensais.
Os dados foram apresentados pela ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Cármen dos Santos, durante o Fórum Nacional sobre Aquicultura Sustentável, realizado em Porto Amboim, e refletem uma evolução gradual da produção nacional. Em Fevereiro, o país registou cerca de 6.506 toneladas de pescado em aquicultura, um crescimento inferior a 1% face a Janeiro, evidenciando um avanço ainda moderado perante a procura interna.

Apesar do crescimento, o sector enfrenta desafios estruturais, sobretudo ao nível da diversificação. A tilápia continua a dominar amplamente a produção, com mais de 5,6 mil toneladas num único mês, enquanto espécies como bagre e ostras mantêm volumes reduzidos. Esta concentração representa um risco para a sustentabilidade, ao expor o sector à dependência de uma única espécie.
A nível económico, a aquicultura tem ganho relevância como instrumento de segurança alimentar e geração de rendimento, sobretudo em zonas com forte participação de famílias jovens. Municípios como Wako-Kungo, Cassongue, Quibala, Sumbe e Gangula destacam-se pela expansão da actividade, apesar das limitações operacionais e de investimento.


A evolução do sector nos últimos anos demonstra uma trajectória de crescimento acelerado, passando de apenas 47 toneladas em 2014 para cerca de 35 mil toneladas em 2025. Com 835 empresas registadas, a aquicultura afirma-se como uma área estratégica para a diversificação económica, embora ainda exija maior investimento, inovação e equilíbrio produtivo para atingir escala e estabilidade no mercado.

