O Huambo prevê alcançar mais de 150 toneladas de produtos agrícolas na actual campanha do Destacamento Agro-pecuário do Sambo, numa iniciativa que combina segurança alimentar, redução de custos operacionais e geração de receitas no sistema penitenciário.
A produção inclui culturas como milho, feijão, mandioca, soja e hortícolas, com destaque para o milho, cuja colheita deverá atingir cerca de 110 toneladas em 47 hectares cultivados. O repolho surge como outra cultura relevante, com uma previsão de 60 toneladas em apenas quatro hectares, evidenciando ganhos de produtividade face à campanha anterior.

No total, foram preparados 110 hectares dos 1.101 disponíveis, reflectindo ainda limitações estruturais na capacidade de expansão da produção. A área restante representa um potencial produtivo significativo, condicionado sobretudo pela escassez de meios técnicos, sementes e fertilizantes.
A estratégia produtiva prevê a distribuição da produção em três frentes: 50% destinada ao consumo interno, 30% para abastecimento de outras unidades prisionais e 20% direccionada à comercialização. Este modelo permite reduzir despesas com aquisição de alimentos e gerar receitas para sustentar o ciclo produtivo.


Do ponto de vista económico, a iniciativa enquadra-se na política de auto-suficiência alimentar do sistema prisional, contribuindo para a diminuição da dependência de importações e alívio da pressão sobre o orçamento público destinado à alimentação dos reclusos.
A campanha mobiliza cerca de 300 reclusos, além de técnicos especializados, integrando a actividade agrícola como instrumento de reintegração social e formação profissional. Este modelo alia produtividade económica à redução da ociosidade e ao reforço das políticas de reabilitação.
Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais, nomeadamente a falta de tractores, alfaias, fertilizantes e outros insumos essenciais. Estas limitações comprometem a expansão das áreas cultivadas e o aumento da produtividade agrícola.
Com mais de 900 hectares disponíveis no Sambo e cerca de 200 no Cambiote, o projecto apresenta margem para crescimento significativo. Num contexto de sobrelotação prisional, com mais de 1.500 reclusos para uma capacidade de 820, a produção agrícola surge como solução estratégica para garantir sustentabilidade alimentar e eficiência económica no sistema.

