Os preços dos alimentos registaram uma subida média global de 2,4% nas últimas semanas, numa tendência impulsionada pelas perturbações nas cadeias internacionais de abastecimento, após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irão, no final de Fevereiro.
O aumento atinge praticamente toda a cadeia alimentar, desde produtos básicos como arroz e farinha de trigo até carne e pescado, refletindo uma redução da oferta global e o encarecimento dos custos logísticos e energéticos.


No centro desta pressão está o encerramento do estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, por onde transitam cerca de 20% do comércio global de gás, 27% do petróleo exportado e aproximadamente um terço dos fertilizantes utilizados na produção agrícola. A interrupção deste corredor tem provocado um efeito dominó sobre os custos de produção alimentar à escala global.
Com o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes, os produtores enfrentam custos mais elevados, que acabam por ser transferidos ao consumidor final. Este mecanismo de transmissão está a acelerar a inflação alimentar, num momento em que muitas economias ainda enfrentam fragilidades pós-crise.
Países produtores de bens essenciais, como Brasil e Portugal, já começam a avaliar os impactos do conflito nas suas cadeias produtivas, antecipando pressões adicionais sobre os preços e possíveis constrangimentos na oferta.

Impacto económico e riscos
A subida dos preços dos alimentos representa um dos sinais mais sensíveis da economia real, com impacto direto no poder de compra das famílias e na estabilidade social, sobretudo em países dependentes de importações.
No curto prazo, a tendência é de manutenção da pressão inflacionista, caso o conflito persista e continue a afectar os fluxos energéticos e logísticos globais. No médio prazo, o risco de agravamento da insegurança alimentar aumenta, especialmente em economias mais vulneráveis.
Por outro lado, este cenário também pode acelerar mudanças estruturais, como a diversificação de fornecedores, o reforço da produção local e o investimento em cadeias logísticas mais resilientes.

