A Empresa Portuária do Namibe defendeu, em Moçâmedes, a criação de uma Zona Económica Especial (ZEE) para a região Sul de Angola, numa iniciativa apresentada durante o II Encontro de Alto Nível dedicado ao reforço do corredor logístico e à atração de investimento privado. A proposta posiciona-se como uma estratégia de transformação estrutural da economia regional, com foco na integração de infra-estruturas e competitividade.

Segundo o administrador executivo da Empresa Portuária do Namibe, David Bengani, a região Sul reúne condições estratégicas para acolher uma zona económica integrada, destacando o papel complementar do Porto do Namibe, dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes e da rede rodoviária existente. A articulação destes sistemas, defende, permitiria reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência operacional das cadeias de abastecimento.
A criação da ZEE surge como um instrumento de competitividade regional, capaz de atrair investimento industrial através de incentivos fiscais e condições regulatórias mais flexíveis. A proposta aposta na industrialização do Sul de Angola como motor de geração de emprego, diversificação económica e aumento da capacidade exportadora.


A posição geográfica de Angola, inserida na rota marítima do Cabo, foi apontada como uma vantagem estratégica para captar fluxos logísticos internacionais, sobretudo num contexto de reconfiguração das cadeias globais de transporte. Esta localização pode transformar o Porto do Namibe num hub alternativo para operações comerciais entre África, Europa e Ásia.
Durante o encontro, foi também destacada a necessidade de maior articulação entre os governos provinciais do Sul do país, com vista à elaboração de uma proposta conjunta a ser submetida ao Executivo. A coordenação institucional é vista como essencial para garantir coerência nas políticas públicas e viabilizar a implementação de um modelo económico integrado na região.

