O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC), localizado na província de Benguela, está a consolidar-se como um dos principais motores da industrialização em Angola, com a implementação de 16 novas unidades industriais em diferentes sectores, cujas obras decorrem desde o início do ano.
A entrada destas novas indústrias reforça significativamente a capacidade produtiva do pólo, que passou de 15 unidades industriais entre 2021 e 2022 para 29 actualmente, evidenciando uma trajectória consistente de crescimento.

Entre os projectos em curso, destaca-se a instalação de uma fábrica de produção de torres de alta tensão e de mangueiras de rega gota-a-gota, com previsão de inauguração ainda este ano.
O presidente do Conselho de Administração do PDIC, Miguel Correia Etossi, sublinhou o impacto directo destes investimentos no mercado de trabalho, afirmando que as novas indústrias poderão gerar entre 5.800 e 6.000 postos de emprego.
“Temos uma empresa que actua no fabrico de pães pré-congelados. A fábrica vai produzir 15 mil pães por dia e já está a instalar equipamentos, além de outras empresas nas áreas de reciclagem”.
Infraestrutura, logística e cadeia de valor
O desenvolvimento do pólo não se limita à instalação de fábricas, mas estende-se à criação de uma base logística sólida. Está prevista a instalação de um terminal de silos com capacidade de 10 mil toneladas por unidade, destinado ao armazenamento de grãos, com infraestruturas a serem implementadas tanto no PDIC como na Caála, província do Huambo. Esta aposta visa impulsionar microindústrias de processamento e fortalecer a cadeia de valor agroindustrial.
Actualmente, o pólo conta com 102 empresas instaladas e cerca de 550 contratos registados na sua base de dados de investidores, reflectindo um ambiente de negócios dinâmico e em expansão. Na fase I do projecto, já são visíveis várias naves industriais em construção, com foco na sua conversão em unidades produtivas operacionais.
Fiscalidade e retenção de receitas locais


No domínio institucional, decorre um trabalho conjunto com a Administração Geral Tributária para descentralizar o registo fiscal das empresas, uma medida que poderá aumentar a eficiência administrativa e fortalecer a arrecadação de receitas ao nível local.
Segundo o PCA, as indústrias já contribuem significativamente para a economia municipal, sendo prioridade garantir maior retenção dessas receitas na região, promovendo o desenvolvimento económico sustentável.
Apesar das tensões geopolíticas no Médio Oriente, o PDIC continua a atrair investidores estrangeiros, com destaque para empresários de países árabes, particularmente da Arábia Saudita.
“Estamos a registar um forte interesse, nomeadamente da Arábia Saudita, sobretudo no agronegócio e na indústria alimentar”, afirmou Miguel Correia Etossi.
“Temos um pólo a ser construído em Benguela com financiamento da Arábia Saudita, o que demonstra interesse em desenvolver a indústria e estabelecer parcerias”, concluiu.

