O mercado internacional do petróleo caminha para registar a maior valorização semanal desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, impulsionado pelo agravamento do conflito no Médio Oriente, que tem afectado o transporte marítimo e as exportações de energia através do estratégico Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Brent crude oil acumulam uma subida de cerca de 20% ao longo da semana, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou aproximadamente 25%, reflectindo a crescente preocupação dos mercados com possíveis interrupções no fornecimento global de energia.
Durante as negociações desta sexta-feira, o Brent registava nova valorização de 2,09 dólares, equivalente a 2,45%, alcançando os 87,50 dólares por barril às 09h53 GMT. Já o WTI subia 3,76 dólares, ou 4,64%, sendo negociado a 84,77 dólares por barril. Ambos os índices atingiram os níveis mais elevados desde julho de 2024.

A escalada dos preços começou após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, levando Teerão a restringir a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de um quinto do fornecimento diário de petróleo no mundo. Desde então, o conflito tem-se estendido a outras áreas produtoras do Médio Oriente, provocando interrupções na produção energética e o encerramento de refinarias e instalações de gás natural liquefeito.
Em entrevista à Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não estar preocupado com a subida do preço dos combustíveis.
“Se subirem, subirão”, declarou, acrescentando que a prioridade da administração norte-americana continua a ser a operação militar em curso.
Ao mesmo tempo, o ministro da Energia do Catar advertiu, em entrevista ao Financial Times, que uma eventual suspensão das exportações energéticas por parte dos produtores do Golfo poderia levar o preço do petróleo a atingir os 150 dólares por barril nas próximas semanas.
Num esforço para aliviar as pressões no abastecimento global, o Departamento do Tesouro norte-americano autorizou temporariamente empresas a adquirir petróleo russo sancionado armazenado em navios-tanque, medida que já permitiu a refinarias da Índia comprar milhões de barris de crude.

Segundo estimativas da empresa de monitorização marítima Kpler, cerca de 30 milhões de barris de petróleo russo encontram-se actualmente disponíveis em navios posicionados no Oceano Índico, no Mar Arábico e no Estreito de Singapura.
Apesar da forte valorização recente, analistas consideram que o movimento ainda está abaixo de choques históricos observados no mercado energético.
“É importante colocar essa movimentação em perspectiva: apesar da alta de quase 20% do petróleo bruto neste mês, o preço está atualmente apenas 3,40 dólares acima da média dos últimos quatro anos”, afirmou Tony Sycamore, analista da IG.

