Os mercados globais começaram a semana sob forte tensão, com o petróleo e o gás natural a registarem subidas expressivas, ao mesmo tempo que o dólar e o ouro avançaram como ativos de refúgio, num contexto de intensificação da guerra aérea entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Segundo a Reuters, o crude norte-americano (WTI) subiu 6,28%, fixando-se nos 71,23 dólares por barril, enquanto o Brent avançou 6,68%, para 77,74 dólares. A escalada militar levou ao encerramento de instalações energéticas no Médio Oriente e à interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, alimentando receios de um choque prolongado na oferta global.


No mercado cambial, o índice do dólar ganhou cerca de 0,9%. O euro recuou 1,01%, para 1,1694 dólares, enquanto o dólar valorizou 0,86% face ao iene e 1,34% frente ao franco suíço. A força da moeda norte-americana reflete a procura por segurança, mas também o facto de os EUA serem exportadores líquidos de energia — ao contrário da Europa e do Japão, mais vulneráveis ao aumento dos preços do petróleo.
O ouro acompanhou o movimento defensivo, com o metal precioso a subir 1,09% no mercado à vista, atingindo 5.335,04 dólares por onça. Já os futuros do ouro nos EUA avançaram 1,97%.

Nas bolsas, o cenário foi misto. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou com queda de 1,35%, enquanto o MSCI global recuou 0,64%. Em Wall Street, o impacto foi mais contido: o S&P 500 encerrou praticamente estável (+0,04%), o Nasdaq subiu 0,36% e o Dow Jones caiu 0,15%. Setores como energia e defesa lideraram os ganhos, impulsionados pela escalada do conflito.
Nos títulos do Tesouro norte-americano, os rendimentos subiram em toda a curva, refletindo a preocupação com um eventual ressurgimento da inflação provocado pelo choque petrolífero. A yield das obrigações a 10 anos avançou para 4,038%.
Apesar da tensão, analistas destacam que os investidores ainda não demonstram sinais claros de pânico generalizado. O que se observa é uma rotação clássica em tempos de crise: fuga para o dólar, ouro e energia — enquanto o resto do mercado tenta perceber se o conflito será passageiro ou se estamos perante mais um abalo estrutural na economia global.

