Os preços do petróleo estabilizaram após registarem uma forte alta de quase 5%, num contexto de crescente preocupação com a oferta global de energia, impulsionada pela escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Segundo empresas de segurança marítima, três embarcações adicionais foram atingidas por projéteis no estratégico Estreito de Ormuz, elevando para pelo menos 14 navios atingidos desde o início da guerra.
O estreito — responsável por cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo transportado por via marítima — tem registado forte redução do tráfego desde o início dos ataques militares em 28 de fevereiro, provocando disrupções nas exportações globais de energia e empurrando os preços para níveis não vistos desde 2022.
EUA avaliam escolta de petroleiros
O presidente Donald Trump afirmou que os Marinha dos Estados Unidos estão preparados para escoltar petroleiros que atravessem o estreito, caso seja necessário.
Contudo, fontes do setor marítimo disseram à Reuters que a marinha norte-americana recusou, por enquanto, pedidos formais da indústria naval para escoltas militares, alegando que o risco de ataques ainda é elevado.
AIE propõe maior libertação de reservas da história
Em resposta à escalada dos preços da energia, a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a libertação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas globais, a maior intervenção do género já proposta pela organização.
O volume sugerido é mais do que o dobro dos 182 milhões de barris libertados em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Ainda assim, analistas alertam que a medida poderá ser insuficiente para compensar as perdas de fornecimento caso o conflito se prolongue.
Segundo estimativas da consultora Macquarie Group, o volume proposto equivale a apenas quatro dias da produção mundial de petróleo.
Infraestrutura energética também sofre ataques
A guerra também começou a afetar diretamente a infraestrutura energética da região.

A petrolífera estatal Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) suspendeu as operações na refinaria Ruwais, após um incêndio provocado por um ataque de drone.
Enquanto isso, a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, está a redirecionar parte das suas exportações através do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar os riscos no Golfo Pérsico.
Apesar dessas medidas, países como Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos já reduziram a produção.
Preços podem atingir US$ 150
De acordo com a consultora Wood Mackenzie, o conflito está atualmente a reduzir o fornecimento de petróleo e derivados do Golfo em cerca de 15 milhões de barris por dia.
Caso as interrupções persistam, analistas alertam que o preço do petróleo poderá atingir 150 dólares por barril.
Já o banco Morgan Stanley afirma que, mesmo com uma resolução rápida do conflito, o mercado energético global poderá enfrentar semanas de perturbação na oferta.

