O ouro mantém-se praticamente estável numa sessão dominada pela incerteza geopolítica, com os investidores a monitorizarem o ultimato dos Estados Unidos ao Irão para a reabertura do Estreito de Ormuz. As declarações de Donald Trump, que voltou a admitir uma possível acção militar, aumentaram a tensão nos mercados, mas sem gerar uma fuga expressiva para activos de refúgio.
Apesar do contexto de risco elevado, o ouro não tem capitalizado o seu papel tradicional de protecção em períodos de crise. O metal recua 0,09%, negociando nos 4.646,87 dólares por onça, acumulando perdas superiores a 2% nas últimas duas sessões, o que indica uma reacção contida por parte dos investidores institucionais.



Do ponto de vista financeiro, este comportamento sugere que o mercado continua mais sensível a factores como taxas de juro, liquidez global e valorização do dólar do que propriamente ao risco geopolítico imediato. A ausência de uma valorização significativa do ouro pode também reflectir expectativas de que o conflito não escale de forma disruptiva no curto prazo.
Para investidores, o cenário actual levanta questões sobre a eficácia do ouro como hedge num ambiente de múltiplos choques. A diversificação continua a ser essencial, sobretudo num contexto em que activos tradicionais de refúgio apresentam respostas menos previsíveis face à volatilidade global.

Num plano mais amplo, a evolução da crise no Médio Oriente especialmente em torno do Estreito de Ormuz, vital para o fluxo global de energia continuará a ser determinante para o comportamento dos mercados. Qualquer escalada poderá reconfigurar rapidamente o apetite ao risco e devolver protagonismo ao ouro como activo defensivo.

