O encerramento de importantes hubs no Golfo Pérsico, na sequência da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, provocou um aumento expressivo nos preços das passagens aéreas entre a Ásia e a Europa. Com o espaço aéreo restrito e aeroportos estratégicos temporariamente fechados, a oferta de voos foi drasticamente reduzida, resultando em esgotamento de bilhetes em várias rotas populares e pressão adicional sobre as tarifas.
Entre os principais impactos está o encerramento do Aeroporto Internacional de Dubai, considerado o aeroporto internacional mais movimentado do mundo, responsável por mais de mil voos diários. A paralisação, que já dura vários dias, afetou diretamente companhias como a Emirates e a Qatar Airways, tradicionalmente dominantes nas ligações entre Austrália, Ásia e Europa. O grupo australiano Flight Centre registou um aumento de 75% nas solicitações de assistência desde o início da crise, com passageiros a procurarem rotas alternativas via China, Singapura e América do Norte.


Com o espaço aéreo do Oriente Médio limitado, companhias que operam voos diretos passaram a desviar trajetos pelo Cáucaso ou pelo sul via Egito e Omã, rotas que ampliam o tempo de voo e elevam o consumo de combustível. O aumento coincide com a valorização do petróleo nos mercados internacionais, pressionando ainda mais os custos operacionais e podendo refletir-se em tarifas mais elevadas no médio prazo.
Empresas fora da região afetada, como a Cathay Pacific, a Singapore Airlines, a Turkish Airlines e a Qantas, registam aumento de procura. Dados verificados nos seus sites mostram escassez de lugares em classe económica e tarifas significativamente superiores às médias habituais. Em alguns casos, apenas bilhetes em classe executiva permanecem disponíveis para partidas imediatas.

Na Ásia continental, companhias como a Air China também apresentam tarifas muito acima do normal nas rotas para o Reino Unido, enquanto a Thai Airways reporta lotação esgotada nos voos para a Europa. Analistas do setor alertam que, caso o conflito se prolongue, a conectividade entre os continentes poderá ser estruturalmente afetada, com impacto direto na rentabilidade das companhias aéreas e no fluxo global de passageiros.

