A Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA) alertou que os países africanos precisam adotar uma abordagem estratégica para aproveitar as oportunidades econômicas geradas pelo crescimento da inteligência artificial (IA), que pode contribuir com até US$ 4,8 bilhões à economia do continente até 2030.
De acordo com o relatório, a infraestrutura necessária para impulsionar essa transformação digital exige investimentos significativos, que vão além dos recursos públicos.
A UNECA sugere que os governos africanos recorram a empréstimos internacionais, fundos soberanos, fundos de pensão e melhorem a arrecadação de impostos para garantir o financiamento necessário, ao mesmo tempo que buscam aumentar a capacidade de geração de receitas internas.
Com menos de 1% dos centros de dados globais em seu território, a África enfrenta uma grande lacuna em termos de infraestrutura tecnológica, o que representa um risco tanto econômico quanto de soberania, conforme o relatório.
Este déficit de capacidade pode colocar os países do continente em desvantagem na corrida para se beneficiar das vantagens competitivas oferecidas pela IA.


A UNECA enfatiza que, para maximizar os ganhos da tecnologia, as nações africanas precisam não apenas atrair investimentos, mas também investir em educação e desenvolvimento de habilidades, criando uma base sólida para a adoção de novas tecnologias.
A Comissão também destaca a importância de fortalecer a Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), que poderia facilitar a troca de bens e serviços tecnológicos dentro do continente.
O impacto potencial da IA no setor empresarial africano é substancial, já que a inteligência artificial pode diversificar as economias do continente, reduzindo a dependência de exportações de matérias-primas.

Segundo a UNECA, a adoção de IA e sistemas automatizados de produção permitirá que os países africanos aumentem sua competitividade ao valorizar a produção de bens e serviços de maior valor agregado.
Além disso, o continente possui vastas reservas de minerais críticos, como lítio e cobalto, que podem ser utilizados na produção de baterias e processadores, oferecendo uma oportunidade única de agregar valor localmente e reduzir a dependência de importações.
A combinação de uma estratégia de investimento inteligente, melhorias na infraestrutura e foco na educação tecnológica pode posicionar a África como um dos principais polos de inovação e competitividade no cenário global.

