O Banco Central de Uganda anunciou que iniciará neste mês seu programa doméstico de compra de ouro, somando-se a outros bancos centrais globais que aumentam reservas do metal diante da valorização internacional. A iniciativa, planejada há dois anos, tem como objetivo fortalecer as reservas nacionais e proteger a economia ugandense frente a riscos nos mercados financeiros internacionais, promovendo maior estabilidade econômica.
Segundo Adam Mugume, diretor executivo de pesquisa e análise econômica do banco, estão previstas compras de pelo menos 100 kg de ouro entre março e junho de 2026, com contratos finalizados junto a refinarias para garantir níveis de pureza exigidos. O programa pretende atender tanto produtores artesanais quanto empresas de médio e grande porte, fomentando o mercado interno de ouro e ampliando a capilaridade da cadeia produtiva.
O momento é estratégico: o preço do ouro à vista subiu mais de 2% recentemente, alcançando US$ 5.395,99 por onça, impulsionado por incertezas geopolíticas, como os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A valorização do metal reforça o papel do ouro como ativo de proteção e sinaliza oportunidades de ganhos patrimoniais para o país e seus investidores.


Uganda tem fortalecido sua capacidade de produção e processamento de ouro. No ano passado, inaugurou sua primeira mina de grande escala, de propriedade chinesa, capaz de processar 5.000 toneladas métricas de minério diariamente e produzir cerca de 1,2 toneladas de ouro refinado por ano. Além disso, o país possui várias refinarias, como a Africa Gold Refinery, estabelecida em 2017, que processam ouro local e importado da vizinha República Democrática do Congo.
O programa de compra doméstica de ouro deve gerar benefícios econômicos concretos: aumento das reservas internacionais, fortalecimento do mercado interno de ouro, geração de empregos no setor de mineração e refino, além de criar um mecanismo de proteção frente à volatilidade global. A diversificação de reservas e a valorização de ativos tangíveis posicionam Uganda de forma estratégica no contexto africano e global, abrindo oportunidades para investidores institucionais e privados.

