A Nissan está a reposicionar a sua estratégia industrial em África ao canalizar um investimento de 45 milhões de dólares para expandir a produção no Egito, reduzindo simultaneamente a sua pegada produtiva na África do Sul.
A decisão reflete uma reconfiguração do mapa automóvel no continente, com foco em eficiência de custos, proximidade a mercados de exportação e resiliência logística, num momento em que a multinacional japonesa ajusta operações globais para mitigar perdas e otimizar retorno sobre capital investido.
O Egito emerge como hub estratégico ao oferecer uma combinação de custos operacionais mais baixos, localização geográfica privilegiada e integração com cadeias de abastecimento regionais.


A expansão deverá aumentar a produção em cerca de um terço, adicionando mais de 10 mil veículos por ano, com mais de 50% dos componentes provenientes de fornecedores locais, fortalecendo a indústria doméstica e reduzindo riscos externos.
Este modelo orientado à localização produtiva posiciona o país como plataforma exportadora para África, Médio Oriente e Europa, capitalizando também os benefícios da Área de Livre Comércio Continental Africana.
Já para a África do Sul, a saída produtiva da Nissan representa uma perda relevante de valor industrial, com impacto direto em empregos, fornecedores e receitas de exportação, apesar da continuidade das operações comerciais.


Em paralelo, a crescente concorrência de fabricantes globais e asiáticos, como a Chery Automobile, intensifica a disputa por liderança no mercado africano.
A médio prazo, o sucesso desta estratégia dependerá da estabilidade regulatória, capacidade logística e evolução da procura regional, mas sinaliza uma tendência clara a África está a tornar-se um campo decisivo na competição global da indústria automóvel.

