A Nigéria prepara-se para iniciar, já em julho, o fornecimento de gás natural para Abuja através do gasoduto Ajaokuta–Kaduna–Kano (AKK), um projeto avaliado em cerca de 2,8 mil milhões de dólares que representa um pilar central da estratégia energética do país.
Segundo a Comissão Reguladora de Petróleo Upstream da Nigéria (NUPRC), o projeto encontra-se com mais de 90% de execução e poderá finalmente entrar em operação após anos de atrasos sucessivos desde a sua conceção em 2008.
A iniciativa é vista como um passo decisivo para transformar a Nigéria numa economia mais dependente do gás como combustível de transição.
O gasoduto AKK foi concebido para transportar mais de 2,2 mil milhões de pés cúbicos de gás por dia, ligando as regiões produtoras do sul aos principais centros de consumo no norte, incluindo Abuja, Kaduna e Kano.


Este fluxo energético deverá reduzir significativamente a dependência do diesel, diminuir custos operacionais das indústrias e melhorar a competitividade do setor produtivo, especialmente no norte do país, onde a escassez de energia tem sido um entrave ao crescimento industrial.
O projeto é sustentado por uma estrutura mista de financiamento, com forte participação de credores chineses e garantia de seguro da China Export and Credit Insurance Corporation, além de capital da Nigerian Gas Company.
Apesar do avanço físico da obra, o histórico de atrasos com metas anteriores falhadas em 2023 e 2025mantém uma postura de cautela entre investidores e analistas, que observam a capacidade do país em concluir grandes infraestruturas energéticas dentro dos prazos.
A nível estratégico, o AKK integra um plano mais amplo de monetização das reservas de gás da Nigéria, estimadas em mais de 210 trilhões de pés cúbicos, as maiores de África.


O projeto está ainda ligado ao gasoduto OB3, criando uma rede de distribuição energética nacional que poderá impulsionar geração elétrica, industrialização e substituição de combustíveis mais caros e poluentes.
Para o governo nigeriano, o sucesso da operação poderá marcar uma viragem estrutural na política energética e reforçar a posição do país como hub de gás no continente.
Num contexto de transição energética global, a entrada em operação do AKK poderá melhorar a previsibilidade energética, atrair investimento industrial e reduzir custos logísticos, criando um efeito multiplicador na economia real.
No entanto, a execução eficiente será determinante para transformar o projeto num verdadeiro catalisador de crescimento sustentável.

