A Namíbia aprovou um investimento de cerca de US$ 2,3 milhões para expandir o acesso às telecomunicações em zonas rurais, numa medida que reforça a estratégia nacional de inclusão digital e procura elevar a penetração da internet para 90% até 2030. O programa surge num contexto em que vastas áreas do país continuam com cobertura limitada, apesar do avanço tecnológico registado nos principais centros urbanos.
O financiamento, equivalente a aproximadamente N$ 42,1 milhões, será executado através da Fase II do Fundo de Serviço Universal, administrado pela Autoridade Reguladora de Comunicações da Namíbia (CRAN). O mecanismo foi criado para corrigir falhas de mercado em regiões onde o investimento privado não tem sido suficiente para garantir retorno financeiro atrativo.
Do montante total, cerca de US$ 1,8 milhão serão destinados à Mobile Telecommunications Company Namibia, enquanto a Telecom Namibia receberá aproximadamente US$ 540 mil para ampliar a cobertura em áreas remotas das províncias de Karas, Kavango West, Kunene, Ohangwena e Oshikoto. Para o mercado, a iniciativa representa uma combinação entre investimento público e execução empresarial para destravar segmentos pouco explorados.


O projecto prevê a construção de nove novas torres de rede de acesso por rádio, além de três torres adicionais sob responsabilidade da Telecom Namibia. Segundo dados oficiais, cerca de 39% da implementação já foi concluída, com aceleração das obras prevista para as próximas semanas. A expansão poderá beneficiar directamente consumidores, escolas, unidades sanitárias e pequenos negócios locais.
O director executivo da Telecom Namibia, Stanley Shanapinda, afirmou que o investimento vai além da instalação de equipamentos.
Não estamos apenas construindo torres. Estamos criando uma linha de vida digital para as comunidades rurais”, declarou.
Além da infraestrutura física, o programa deverá alcançar pelo menos 15 instituições públicas, entre escolas e centros de saúde. O acesso reduzido à internet tem limitado serviços de telemedicina, plataformas educativas e a entrada de microempresas nos mercados digitais, factores que restringem produtividade e oportunidades de rendimento em comunidades afastadas.
Um dos elementos mais relevantes do plano é a oferta de até sete anos de conectividade gratuita para escolas e clínicas seleccionadas. A medida procura garantir que o investimento gere resultados mensuráveis, transformando acesso digital em capital humano, melhoria de serviços públicos e dinamização económica local.

A directora executiva da CRAN, Emilia Nghikembua, classificou o programa como resposta directa às limitações do mercado.
Esta intervenção está alinhada com as prioridades do NDP6 para acelerar o acesso universal a serviços de comunicação de qualidade e acessíveis, especialmente para as comunidades rurais”, afirmou.
Nghikembua reforçou ainda a dimensão estratégica do projecto ao declarar que “A conectividade não é um privilégio, mas sim um fator essencial para o desenvolvimento inclusivo”. Para analistas, a Namíbia posiciona-se para reduzir desigualdades regionais, fortalecer o ecossistema digital e criar bases para crescimento mais equilibrado nos próximos anos.

