Um relatório do Rabobank aponta que cerca de 20% das áreas actualmente utilizadas para o cultivo de café arábica poderão tornar-se impróprias até 2050, devido aos impactos crescentes das mudanças climáticas. A análise destaca riscos estruturais para a cadeia global do café, com implicações directas na oferta, nos preços e na sustentabilidade do sector.
Actualmente, cerca de 8% das áreas já enfrentam limitações produtivas, exigindo maior investimento e apresentando rendimentos inferiores. O estudo classifica as regiões de cultivo em diferentes níveis de adequação, tendo em conta factores como temperatura e precipitação, que se tornam cada vez mais instáveis devido às alterações climáticas.

Segundo o relatório, o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas estão a tornar o cultivo menos previsível, aumentando a ocorrência de fenómenos extremos como secas, ondas de calor e chuvas intensas. Este cenário compromete a fiabilidade da produção e representa um risco crescente para o abastecimento global da commodity.
No Brasil, maior produtor mundial de café arábica, a proporção de produção em áreas adequadas pode cair de 81% para 62% até 2050, afectando directamente a produtividade. Actualmente, áreas adequadas produzem em média 32,6 sacas por hectare, enquanto zonas menos favoráveis registam cerca de 28 sacas, evidenciando perdas de eficiência agrícola.


Outros países também enfrentam desafios significativos. Na Colômbia, a participação de áreas adequadas pode cair de 56% para 45%, enquanto em Honduras a redução poderá ser mais acentuada, passando de 53% para apenas 12%, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da produção nestes mercados.
Por outro lado, algumas regiões podem beneficiar das mudanças climáticas. A Etiópia deverá aumentar a proporção de áreas adequadas para o cultivo de arábica de 39% para 50%, criando novas oportunidades de expansão agrícola e reposicionamento no mercado global.

