Moçambique liquidou uma dívida de aproximadamente 701 milhões de dólares junto ao Fundo Monetário Internacional, num movimento que marca um ponto de viragem na gestão da dívida externa do país.
A informação foi avançada pelo Standard Bank, através de uma nota de pesquisa, indicando que o pagamento levou à eliminação total das obrigações financeiras do país com a instituição multilateral.
Segundo o economista-chefe do banco em Moçambique, Fáusio Mussá, os dados são consistentes com o portal oficial do FMI, onde a dívida pendente do país aparece actualmente como zero.

O reembolso terá impacto imediato na relação com o FMI, levando ao cancelamento de uma missão prevista para agosto, embora nem o governo moçambicano nem o Fundo tenham ainda detalhado oficialmente os termos da operação.
Antes da liquidação, a situação da dívida era considerada preocupante, com o FMI a alertar, em fevereiro, para uma trajectória insustentável, enquanto o Banco Mundial também advertia para riscos sobre projectos de gás avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares.
Apesar do alívio da dívida, o pagamento deverá pressionar as reservas cambiais, que estavam em cerca de 4,15 mil milhões de dólares no final de janeiro e poderão recuar para 3,5 mil milhões após a operação, segundo estimativas do Standard Bank.


O caso de Moçambique segue uma tendência recente no continente, com países como Nigéria e Namíbia a também reduzirem ou liquidarem as suas dívidas junto ao FMI nos últimos anos.
Ainda assim, Moçambique continua a enfrentar desafios, incluindo atrasos no pagamento a outros credores, num contexto em que 45 países africanos ainda mantêm algum nível de dívida com o FMI, evidenciando que o alívio obtido não elimina os riscos estruturais da economia.

