As bolsas europeias registaram ligeiros ganhos nesta sexta-feira, num contexto de forte incerteza provocada pela escalada da guerra no Médio Oriente e pela expectativa em torno de importantes dados do emprego nos Estados Unidos. Os investidores mantêm uma postura cautelosa, avaliando os riscos geopolíticos e os possíveis impactos na economia global.
Entre os principais índices do continente, o DAX da Alemanha subiu 0,7%, enquanto o CAC 40 da França avançou 0,3%. Já o FTSE 100 do Reino Unido registou uma valorização mais moderada de 0,2%. Apesar do desempenho positivo do dia, os índices caminham para perdas semanais próximas de 5%, representando as maiores quedas desde abril do ano passado.
A tensão geopolítica continua a dominar o sentimento do mercado. O conflito entre Israel e Irã entrou no seu sétimo dia sem sinais claros de abrandamento. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o poder de fogo contra alvos iranianos poderá aumentar significativamente, enquanto Israel anunciou novos ataques de grande escala contra infraestruturas em Teerão. Em resposta, o Irã lançou ataques contra Israel e também contra países vizinhos, incluindo Chipre, Turquia e Azerbaijão, ampliando a dimensão regional do conflito.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que Washington poderá ter influência na escolha do próximo líder iraniano, após a morte do líder supremo Ali Khamenei em ataques aéreos na semana passada. Entretanto, Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, surge como principal candidato à sucessão, sinalizando continuidade do regime iraniano.
Além das tensões geopolíticas, os mercados acompanham atentamente indicadores económicos importantes. Entre eles estão os dados do Produto Interno Bruto da Zona Euro, que deverão mostrar um crescimento trimestral de 0,3% e expansão anual de 1,3% no último trimestre do ano passado. Contudo, a maior atenção dos investidores está voltada para o relatório de emprego dos Estados Unidos, com previsão de criação de cerca de 59 mil postos de trabalho em fevereiro e manutenção da taxa de desemprego em 4,3%.


No campo empresarial, a Deutsche Lufthansa anunciou uma receita anual recorde em 2025, embora tenha registado uma margem operacional limitada devido às incertezas económicas e geopolíticas. A empresa evitou apresentar previsões detalhadas para 2026, citando o impacto potencial da crise no Médio Oriente.
Os preços do petróleo também refletem as tensões na região. O barril de Brent crude subiu para cerca de 85,68 dólares, enquanto o West Texas Intermediate foi negociado próximo de 81,06 dólares. Desde o início da guerra, o Brent acumulou alta de cerca de 18% e o WTI avançou mais de 21%, impulsionados pelo receio de interrupções no fornecimento global.
Um dos principais pontos de preocupação é a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica entre o Irã e Omã, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo. Caso isso aconteça, os impactos sobre os preços da energia e sobre a economia global poderão ser significativos.

