Os mercados globais iniciaram a semana divididos entre o forte desempenho das ações tecnológicas e a escalada dos preços do petróleo, num cenário marcado pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que continua a ameaçar o equilíbrio energético global.
O petróleo Brent, referência internacional, avançou mais de 2%, atingindo máximos de três semanas, impulsionado pelas restrições no Estreito de Ormuz, um dos principais canais de transporte de energia do mundo. A escalada reacendeu preocupações com a inflação e levou investidores a reduzirem apostas em cortes de juros nas principais economias.


Apesar do choque energético, os mercados acionistas encontraram suporte no sector tecnológico, com destaque para empresas de semicondutores, que continuam a beneficiar do ciclo de investimento em inteligência artificial. O otimismo em torno desta indústria tem sustentado índices globais, mesmo num ambiente macroeconómico incerto.
O índice S&P 500 manteve-se estável, refletindo o equilíbrio entre pressões inflacionárias e expectativas de crescimento tecnológico, enquanto mercados asiáticos acompanharam o movimento positivo, impulsionados por ganhos no sector de chips.
A valorização das tecnológicas ganhou força após previsões sólidas da Intel, que superaram expectativas e desencadearam uma nova onda de compras no segmento, elevando o valor de mercado das fabricantes asiáticas para níveis superiores aos de economias desenvolvidas.


O foco dos investidores volta-se agora para os resultados das gigantes tecnológicas como Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta Platforms e Apple, cujos planos de investimento em inteligência artificial poderão redefinir o ritmo dos mercados.
No mercado cambial, o euro e o iene registaram oscilações moderadas, enquanto os mercados obrigacionistas permaneceram relativamente estáveis, refletindo a expectativa de manutenção das taxas de juros por parte dos principais bancos centrais.
Instituições como o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra deverão manter as taxas inalteradas, embora o tom das suas decisões seja crucial para orientar as expectativas de mercado num contexto de inflação pressionada pela energia.

Analistas do Goldman Sachs já elevaram as previsões para o preço do petróleo, alertando para possíveis aumentos mais acentuados caso os estoques globais atinjam níveis críticos, o que reforça o risco de volatilidade nos mercados.
Num ambiente onde a geopolítica e a tecnologia disputam protagonismo, os investidores enfrentam um cenário dual: de um lado, o impulso estrutural da inteligência artificial; do outro, a pressão imediata dos choques energéticos, que continuam a moldar as expectativas económicas globais.

