A cadeia retalhista Maxi revelou que cerca de 75% dos produtos comercializados nas suas lojas têm selo “Feito em Angola”, enquanto apenas entre 10% e 15% correspondem a importações, sinalizando uma forte aposta no abastecimento interno e no fortalecimento da economia nacional.
A informação foi avançada em Luanda pelo director de operações do Clube de Produtores Maxi, João Nunes, que destacou o papel estratégico da rede no incentivo à produção agrícola local. Segundo o responsável, o programa estabelece parcerias directas com produtores nacionais para garantir maior presença de alimentos frescos, acessíveis e competitivos nas prateleiras.

Criado em 2012, o Clube de Produtores Maxi reúne actualmente cerca de 40 produtores agrícolas, responsáveis pelo fornecimento regular de frutas, hortícolas e outros bens frescos. O modelo tem contribuído para gerar empregos, aumentar rendimentos familiares e dinamizar pequenas economias locais em várias províncias.
João Nunes sublinhou que o fortalecimento da produção nacional exige ganhos de produtividade, melhor qualidade de sementes, boas práticas agrícolas e maior integração entre agricultura familiar e produção empresarial. Para o gestor, o aumento da eficiência no campo será determinante para reduzir dependência externa e estabilizar preços no mercado interno.


Apesar dos progressos, o sector agrícola continua a enfrentar entraves estruturais, como irregularidade na produção, limitações logísticas, fraca capacidade de embalamento e necessidade de maior capacitação técnica dos operadores. Esses factores, segundo o responsável, ainda condicionam a competitividade do produto nacional.
A Maxi opera actualmente com cerca de 40 fazendas distribuídas por diferentes regiões do país, estratégia que permite mitigar impactos climáticos e assegurar fornecimento contínuo ao longo do ano. A diversificação geográfica também favorece diferentes ciclos de cultivo, ampliando a variedade de produtos disponíveis.

O executivo defendeu ainda maior rigor na segurança alimentar, considerando que esse factor será decisivo para aumentar a confiança dos consumidores e abrir portas à exportação. Na visão da empresa, Angola poderá transformar-se num fornecedor competitivo de alimentos, desde que consolide padrões de qualidade e escala produtiva.

