Em meio à crescente volatilidade no mercado global de energia, Marrocos enfrenta um cenário de pressão econômica com reservas de combustíveis, incluindo diesel e gasolina, suficientes para durar pouco mais de 50 dias.
O país, que depende quase totalmente de importações para suas necessidades energéticas desde o fechamento de sua única refinaria em 2015, observa com preocupação o impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que levaram os preços do petróleo a disparar em março.
A atual escassez de combustíveis, agravada pela falta de capacidade de refino interno, resultou em um aumento de 30% nos preços do diesel e da gasolina, afetando diretamente os consumidores e transportadores no país.

Marrocos, cujo fornecimento de carvão e gás está garantido até junho, tem conseguido diversificar suas fontes de importação de combustíveis, principalmente a partir da Europa e dos Estados Unidos, para mitigar os riscos relacionados à crise energética global.
No entanto, a ausência de uma infraestrutura de refino e a dependência de importações tornam o país vulnerável a choques externos, como os recentes conflitos regionais.
O governo marroquino, que retirou os subsídios ao diesel em 2014, reintroduziu apoio específico para transportadores profissionais, como táxis e caminhões, para estabilizar os preços no mercado interno e evitar uma crise de abastecimento mais profunda.
No campo econômico, Marrocos enfrenta um cenário orçamentário desafiador, com o preço do petróleo Brent atingindo US$ 108 por barril, muito acima da previsão de US$ 60 utilizada no orçamento de 2026.


A diferença entre os preços reais e as projeções está pressionando ainda mais as finanças públicas, que já refletem um esforço contínuo para controlar os custos da energia.
No entanto, o país conta com uma linha de crédito flexível do Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 4,5 bilhões, caso os preços do petróleo ultrapassem os US$ 120 por barril. Com um aumento de 5% nas importações de energia em 2025, totalizando US$ 11,5 bilhões, Marrocos está trabalhando para equilibrar seus custos e garantir a estabilidade de seu setor energético em um cenário global instável.

