O mais recente Anuário do Inquérito ao Emprego em Angola de 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revela um quadro estrutural de elevada informalidade no mercado de trabalho, com mais de 62% dos trabalhadores sem contrato escrito. O dado expõe um desafio económico persistente, num país onde a formalização laboral continua a ser um dos principais entraves à arrecadação fiscal, proteção social e produtividade empresarial.
Segundo o relatório, apenas 37,2% dos trabalhadores possuem contrato formal, estando a maioria inserida em micro e pequenas unidades económicas com menos de cinco trabalhadores, que dominam a estrutura empresarial angolana. Esta realidade reflete um tecido produtivo fragmentado, onde a flexibilidade operacional das pequenas atividades convive com baixos níveis de regulação e fraca capacidade de expansão empresarial estruturada.


A informalidade atinge cerca de 78,8% da força de trabalho, com maior incidência no meio rural (95%), entre mulheres (88,1%) e jovens de 15 a 24 anos (93,4%). Este padrão evidencia não apenas vulnerabilidades sociais, mas também limitações económicas relevantes, como baixa produtividade, reduzido acesso a crédito e fraca integração em cadeias de valor formais, fatores que restringem o crescimento sustentável do setor privado.
Apesar do cenário desafiante, os dados também revelam a dimensão real da economia ativa angolana, com 13,36 milhões de pessoas a declarar algum tipo de emprego em 2025. Este volume representa uma base laboral significativa que, se progressivamente formalizada, poderia ampliar substancialmente a base tributária, melhorar a proteção social e criar condições para maior estabilidade no consumo interno e investimento privado.

Com uma taxa de desemprego estimada em 28,3%, correspondente a 5,28 milhões de pessoas, o país enfrenta um duplo desafio: absorver nova mão de obra e, simultaneamente, qualificar e formalizar a existente. A transição da informalidade para a formalidade surge, assim, como um eixo estratégico central para ganhos de eficiência económica, aumento da competitividade empresarial e melhoria das condições de vida da população.

