A fabricante automóvel indiana Mahindra & Mahindra está a estudar um plano de expansão e modernização das suas operações na África do Sul, num investimento estimado em cerca de US$ 31 mil milhões, numa aposta que responde ao aumento da procura por veículos acessíveis e à intensificação da concorrência no mercado automóvel africano.
O projecto incide sobre a unidade de montagem da empresa localizada nas proximidades de Durban, onde actualmente a produção é feita em regime semi-desmontado (SKD), um modelo em que componentes pré-montados são apenas finalizados localmente. A nova estratégia prevê a transição para o sistema CKD (Completely Knocked Down), que implica a montagem total dos veículos a partir de peças básicas importadas.


A mudança representa uma tentativa de aprofundar a industrialização local e reforçar a cadeia de fornecimento dentro da África do Sul, reduzindo a dependência de importações acabadas e potencialmente mitigando impactos de tarifas comerciais que estão em discussão no país.
A possível expansão surge num contexto de forte concorrência no segmento de veículos de gama média, onde marcas indianas e chinesas têm vindo a ganhar espaço, pressionando fabricantes tradicionais como a Ford e a Mercedes-Benz, enquanto a Toyota mantém liderança em vendas no mercado sul-africano.
Analistas do sector consideram que a aposta da Mahindra reflecte o crescimento consistente da marca na região, impulsionado por procura interna robusta. A transição para o modelo CKD poderá também aumentar significativamente o conteúdo local da produção e fortalecer o ecossistema industrial automóvel.

Especialistas apontam ainda que o impacto laboral pode ser expressivo, uma vez que a produção CKD tende a gerar até oito vezes mais empregos do que o modelo SKD, além de abrir espaço para transferência de tecnologia e maior participação de pequenas e médias empresas na cadeia de fornecimento.
Outro ponto crítico destacado por actores do sector é o nível elevado de importações de veículos na África do Sul, que já se aproxima dos 70%, um factor que pressiona a indústria local e reforça a necessidade de políticas de reindustrialização para sustentar o crescimento do sector automóvel.
A decisão final sobre o projecto deverá ser conhecida ainda este ano, num momento em que a África do Sul procura equilibrar abertura comercial com a proteção e expansão da sua base produtiva industrial.

