O volume de negócios foi avançado pelo presidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola–RDC, Jó Mpiaça Dias, que destacou o papel da fronteira do Luvo como um dos principais canais de exportação de produtos angolanos para a África Central.
Entre os bens mais exportados figuram produtos agrícolas e alimentos transformados provenientes da Zona Económica Especial (ZEE), com destino não apenas à RDC, mas também à República Centro-Africana e ao Congo Brazzaville, através de circuitos comerciais que passam por Kinshasa.
Actualmente, mais de 3.014 empresas estão registadas na Câmara de Comércio Angola–RDC, incluindo operadores que saíram da informalidade, reflectindo um processo gradual de formalização e maior organização do comércio transfronteiriço.


Além do Luvo, a via do Noqui, na província do Zaire, constitui outra rota estratégica para as trocas comerciais, reforçando a ligação logística com a cidade de Matadi, na RDC.
O crescimento esperado das transacções está associado à implementação de sete Memorandos de Entendimento assinados com entidades congolesas, com execução prevista ao longo de 2026, abrangendo sectores como agricultura, comércio, infra-estruturas e mineração.
Entre os projectos estruturantes, destaca-se um investimento de 110 milhões de dólares para a produção de cereais, feijão e gengibre nas províncias do Zaire e do Uíge. A iniciativa visa reforçar a segurança alimentar e posicionar Angola como fornecedor estratégico de produtos agrícolas para o mercado congolês.
O fluxo anual de mil milhões de dólares evidencia o peso crescente do comércio transfronteiriço na diversificação da economia angolana, reduzindo a dependência do sector petrolífero e fortalecendo as exportações não petrolíferas.
A aposta no sector agrícola, com investimentos significativos, representa uma oportunidade estratégica para aumentar a produção interna, gerar emprego e melhorar a balança comercial, sobretudo num contexto em que a RDC apresenta forte dependência de importações alimentares.
A formalização de mais de três mil empresas indica uma evolução positiva no ambiente de negócios, com potencial impacto na arrecadação fiscal e na estabilidade das cadeias de valor.

Por outro lado, o reforço das ligações logísticas, incluindo o potencial uso do Corredor do Lobito, poderá aumentar a competitividade das exportações angolanas e atrair investimento estrangeiro, especialmente nos sectores mineiro e agrícola.
No entanto, persistem desafios estruturais, como a necessidade de melhoria das infra-estruturas, simplificação dos processos aduaneiros e maior coordenação regional, factores determinantes para sustentar o crescimento do comércio.
Expansão regional e investimento
A estratégia de expansão inclui ainda a possibilidade de exportação via província de Cabinda, bem como o reforço da cooperação com a RDC no domínio das infra-estruturas e mineração.
O sector mineiro surge como uma das apostas de médio prazo, com empresas associadas a exportarem minerais como cobre, lítio e manganês, e com perspectivas de integração logística através do Corredor do Lobito.
Fórum internacional empresarial
No âmbito da internacionalização, Angola foi convidada a participar no Fórum Empresarial Estados Unidos–RDC, a realizar-se em Maio, em Kinshasa, com a presença de mais de 150 empresas.
O evento deverá reforçar parcerias trilaterais e atrair investimento estrangeiro para sectores estratégicos como agricultura, mineração e transportes, com a participação prevista de cerca de 50 empresas angolanas.

