A BYD registou a primeira queda anual de lucros em quatro anos, evidenciando o impacto directo da intensificação da concorrência no sector de veículos eléctricos. O lucro líquido caiu 19%, para 32,6 mil milhões de yuans (cerca de 4,72 mil milhões de dólares), resultado inferior às expectativas do mercado e reflexo de margens cada vez mais comprimidas no maior mercado automóvel do mundo.

O desempenho financeiro foi penalizado por uma desaceleração da procura doméstica e por uma guerra de preços agressiva entre fabricantes, que tem vindo a reduzir a rentabilidade das operações.
A receita cresceu apenas 3,5% o ritmo mais lento em seis anos enquanto a empresa avançou com uma redução de 10,2% da força de trabalho, num movimento de ajuste operacional para controlo de custos.
A pressão competitiva intensificou-se com o avanço de rivais como a Geely e a Leapmotor, que têm ganho quota de mercado e reduzido a vantagem tecnológica da BYD. Após liderar o mercado em 2025, a empresa caiu para a quarta posição no início de 2026, num cenário marcado pela maior queda de vendas desde a pandemia.


As margens também reflectem este ambiente adverso: a margem bruta do segmento automóvel recuou para 20,5%, pressionada pela forte dependência de modelos de baixo custo, que representam mais de 60% das vendas no mercado interno. A redução de incentivos governamentais para veículos mais acessíveis agravou ainda mais a competitividade da marca no seu principal segmento.
Apesar do contexto desafiante, a empresa mantém uma estratégia de crescimento baseada na expansão internacional e no reforço tecnológico. O presidente Wang Chuanfu reconheceu que o sector atravessa uma “fase eliminatória”, defendendo maior foco em inovação e eficiência. Analistas apontam que a rentabilidade futura dependerá da capacidade de escalar operações globais, controlar custos e diversificar a oferta para segmentos de maior valor.

