A República Democrática do Congo avança com reformas estruturais no comércio de ouro, alinhando-se a iniciativas africanas de maior controlo dos recursos naturais, num movimento que reforça a captura de valor interno e a transparência nas cadeias extractivas. Em paralelo, o Djibuti acelera a sua estratégia de posicionamento logístico ao inaugurar um dos maiores estaleiros de reparação naval da África Oriental e do Mar Vermelho, consolidando-se como um hub marítimo estratégico no comércio global.
O novo estaleiro, desenvolvido em parceria com o Damen Shipyards Group e financiado pela Invest International, representa um investimento de cerca de 107,5 milhões de euros (124 milhões USD). A infra-estrutura inclui uma doca flutuante de 217 metros com capacidade de elevação de 20.100 toneladas, permitindo atender uma vasta gama de embarcações que cruzam um dos corredores marítimos mais movimentados do mundo.



Do ponto de vista económico, a aposta do Djibuti responde a uma lacuna estrutural na região, historicamente dependente de estaleiros no Médio Oriente, Europa e Ásia para grandes reparações navais. A internalização desses serviços deverá reduzir custos logísticos, encurtar prazos operacionais e, sobretudo, reter receitas no continente, criando novas fontes de divisas e aumentando a competitividade regional no sector marítimo.
A localização estratégica na entrada do Estreito de Bab el-Mandeb reforça o potencial do Djibuti como plataforma integrada de serviços, combinando portos, logística e agora manutenção naval. Para investidores e operadores marítimos, este posicionamento cria um novo ponto de apoio operacional em África, com impacto directo nas cadeias globais de transporte e comércio.

Num contexto mais amplo, o projecto insere-se numa tendência continental de industrialização da economia azul, com países africanos a expandirem capacidades em construção e reparação naval. Este movimento, visível também em mercados como África do Sul e Nigéria, sinaliza uma mudança estrutural: África deixa de ser apenas uma rota de passagem para o comércio global e começa a consolidar-se como um actor activo na infra-estrutura marítima, com potencial para gerar valor, emprego qualificado e maior autonomia económica.

