O aumento das importações brasileiras de óleo combustível no Sudeste Asiático trouxe um alívio significativo para os mercados marítimos da região, cujas operações estavam seriamente ameaçadas pela escassez de combustível decorrente da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Em março de 2026, as importações brasileiras mais do que dobraram em comparação com fevereiro, atingindo um volume recorde de quase 1 milhão de toneladas métricas, o que representa cerca de 205.000 barris por dia.
Esses volumes são especialmente direcionados a Singapura e à Malásia, centros essenciais de reabastecimento de navios, e contribuíram para a estabilização temporária dos preços do combustível marítimo, com os prêmios à vista para o combustível com baixo teor de enxofre (VLSFO) caindo de quase US$ 140 por tonelada para cerca de US$ 50 nas últimas semanas.
O impacto das tensões no Oriente Médio, particularmente no Estreito de Ormuz responsável por transportar cerca de 20% do comércio global de energia elevou os preços do petróleo e do combustível marítimo, causando uma disparidade significativa entre os preços da Ásia e do Ocidente.


Em 31 de março, a diferença entre os preços do VLSFO na Ásia e nos mercados dos EUA e da Europa atingiu um recorde histórico de mais de US$ 160 por tonelada, um aumento impressionante de 170% em apenas um mês.
Esse aumento de preços gerou uma movimentação acelerada de óleo combustível sul-americano para a Ásia, favorecendo especialmente o Brasil, que conseguiu explorar a janela de oportunidade criada pela escassez de fornecimento do Oriente Médio.
No entanto, a incerteza sobre a continuidade do conflito e suas consequências para o tráfego no Estreito de Ormuz continuam a preocupar os mercados, já que uma possível restrição adicional de oferta pode agravar a situação.
Embora o fornecimento de óleo combustível brasileiro tenha ajudado a reduzir a pressão sobre os preços e prêmios marítimos em Singapura, a estabilidade do mercado global de petróleo continua em risco.

A operação limitada da refinaria al-Zour no Kuwait, somada à redução da produção do complexo da Dangote, tem dificultado ainda mais a oferta de destilados com baixo teor de enxofre.
A incerteza sobre o futuro do Estreito de Ormuz, somada a questões logísticas e operacionais, aponta para um panorama de abastecimento ainda restrito.
Para as empresas que dependem do combustível marítimo, a volatilidade persistente exige estratégias de diversificação de fornecedores e uma gestão cautelosa de estoques.
As condições do mercado nos próximos meses dependerão diretamente da evolução do conflito e da capacidade das partes envolvidas de restaurar a segurança nas rotas comerciais do Oriente Médio.

