As ações de várias companhias aéreas internacionais registaram fortes quedas esta segunda-feira, enquanto os preços das passagens aéreas dispararam, após a intensificação do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. O aumento da tensão no Médio Oriente está a pressionar o sector da aviação devido à subida acentuada dos preços do petróleo e às restrições no espaço aéreo da região.
Petróleo dispara e pressiona custos das companhias
Os preços do petróleo registaram uma subida superior a 15%, atingindo níveis não observados desde 2022. Em determinado momento, os contratos futuros do petróleo Brent crude oil chegaram a subir cerca de 29%, impulsionados pelo receio de interrupções prolongadas na oferta e no transporte marítimo global.


O combustível representa a segunda maior despesa operacional das companhias aéreas, ficando apenas atrás dos custos com mão-de-obra. Com a subida do preço do crude, o querosene de aviação tende a encarecer ainda mais, aumentando significativamente os custos das operações.
Companhias aéreas registam perdas nas bolsas
Na Ásia, várias companhias aéreas sofreram fortes quedas nas bolsas de valores. As ações da Korean Air caíram 8,6%, enquanto a Air New Zealand recuou 7,8% e a Cathay Pacific registou uma queda de cerca de 5%.


Na Europa, empresas como Air France KLM, International Airlines Group, proprietária da British Airways, e a Lufthansa também registaram perdas entre 4% e 6% no início das negociações. Nos Estados Unidos, as principais companhias aéreas apresentaram quedas próximas de 4% nas negociações pré-mercado.
Passagens aéreas disparam e podem reduzir viagens
A instabilidade internacional também provocou uma subida repentina nos preços das passagens aéreas. Um voo directo entre Seul e Londres operado pela Korean Air para o dia 11 de Março chegou a custar 4.359 dólares, quando uma semana antes era vendido por cerca de 564 dólares, segundo dados da Google Flights.
A directora de pesquisa de acções para a Ásia da Morningstar, Lorraine Tan, alertou que o aumento das tarifas poderá reduzir significativamente a procura por viagens. Segundo a analista, os custos elevados podem afastar viajantes de lazer e levar empresas a limitar deslocações de negócios.
Cancelamentos de voos e risco de paralisação global
Desde 28 de Fevereiro, quando começou a escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, mais de 37 mil voos com origem ou destino no Médio Oriente foram cancelados, segundo dados da Cirium.
Com o espaço aéreo da região severamente limitado, várias companhias foram obrigadas a alterar rotas, transportar combustível adicional ou realizar escalas técnicas para reabastecimento, de forma a evitar áreas de risco.

Analistas do Deutsche Bank alertam que, caso a crise se prolongue, companhias aéreas em todo o mundo poderão ser obrigadas a manter milhares de aeronaves em terra, enquanto empresas financeiramente mais frágeis correm o risco de suspender operações.
A situação recorda a crise registada em 2005, quando o aumento do preço do combustível após os furacões Katrina e Rita levou à falência das companhias Delta Air Lines e Northwest Airlines.

